sábado, 13 de setembro de 2008

13 de setembro

Pensei seriamente sobre não chorar hoje. E assim fiz. Acho que tenho perdido tempo demais me passando por coitadinha aqui nesse quarto que nada me consola. Tem tanta coisa para se fazer, ver, ter. Tem tantas pessoas para querer, ver, ter. O que me levou a um cálculo matemático muito preciso: mais possibilidades de ser feliz do que pensar em como se pode ser mais triste. E um sorriso, tímido, me dá uma boa noite.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

12 de setembro

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.



Cáh Morandi

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro



O que eu mais gostava nele eram as coisas que ele não me dizia, tanto pelas expectativas que elas me causavam, tanto porque assim eu poderia imaginá-las a minha maneira. E isso era também uma forma de sentir menos dor e sofrimento, assim eu poderia pensar que ele nunca teve um outro amor e que adorasse as torradinhas com tomate seco e queijo no café da manhã. Ele nunca me negou nada, mas também nunca se precipitou a me surpreender. Era um homem de reservas, sem demonstrar nos gestos grandes turbulências. Amava sempre calmo e sempre fundo. Amava sempre olhando nos olhos, e eram nesses momentos que eu captava um pouco de tanto silêncio guardado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

10 de setembro

Eram quatro da tarde quando entrei no carro para ir na casa do seu Arlindo. Seu Arlindo é um senhor de 80 e poucos anos, meu leitor, muito querido e gaúcho, hoje combinamos de tomar um chimarrão e nos alegrarmos com nossas conversas. Uma das coisas que gostei de aprender foi ouvir. Particularmente, escutar seu Arlindo me enriquece. Ele ri, tão meigo. Saí de lá quase seis horas, aproveitei para ir cortar os cabelos, fazer a sombrancelha e depilação. As unhas ficaram para sexta, ainda aguentam mais um dia. Voltar para casa, dirigindo de cabeça erguida e faróis baixos, longa beira mar... não dava de ver a água, mas ouvir o quebrar das ondas era um presente. Um bom banho, deixar a pele úmida e de leve espalhar o oléo de amendôas, por cada dobrinha da pele, por cada declive que os ossos nos causam a pele. Deitar na cama, fechar os olhos... e a falsa sensação: está tudo bem.
......
"Fatal, cruel,
Cruel demais
Mas não faz mal
Quem ama não tem paz."
(Anoiteceu - Vinícius de Moraes)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

09 de setembro

E eu não tenho tido tempo... só tenho sentido uma dor por dentro tão grande se alastrando, mas tudo passa, e essa dor há de passar também... Alguém já esqueceu você também?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

08 de setembro

(Mariscal amanhecendo, dezembro de 2007)


Nada mais para dizer além do que isso....

"E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia

Se for eu e você
Se assim acontecer "


(Alice Ruiz)

domingo, 7 de setembro de 2008

traduz-me

Vejo a neve cair, quando abres a boca,
Tuas poucas palavras duras
São tua própria ditadura, te censuras.

E o chão fica branco da nevada de ti
E eu me jogo em tua avalanche,
Me congelo no teu frio alpino.

Eu que não acho ruim,
Eu que sempre quis ver a neve,
Eu sempre nordestino.


(Tua frialdade - Lalo Oliveira)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

04 de setembro


Especificações e filofosofia barata sobre o dia anterior:

"- Você nunca perdeu nada de mim, o que eu te dei e dou, nunca, ninguém, jamais irá ter."


Sim. Nunca ninguém terá as mesmas coisas que te dei. Podem receber gestos parecidos, sorrisos quase iguais. Mas nada do que eu faça, que eu dê, será com a mesma intensidade, talvez menos, talvez até mais. Nada tão bonito quando o sol ia nascendo... Nada tão quente como os abraços debaixo do cobertor. As coisas que você me fazia sentir me faziam espontanêa na hora de agradar. Você fazia de mim algo que nunca voltei a ser: feliz. E me deu algo que ninguém pode me tirar: saudade. Eu nunca duvidei, você é um milagre.


...................


"Boas e bobas são as coisas
que penso quando penso em você."

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ainda sobre 3 de setembro

Ele estava apavorado, me ligou desesperadamente durante a tarde. Não atendi não por não querer, mas porque estava envolvida em algo que não me permita atender o celular naquele horário. Assim que pude, isso quase seis da tarde, retornei a ligação. Do outro lado um suspiro, meio que como um sinal de alívio e "até que enfim".
- Eu não posso perder você.
E um silêncio ficou no ar, porque era isso que ele tinha para me dizer e não acrescentado de mais nada, e eu também fiquei meio que surpresa ao ouvir algo que esperei tanto ele me dizer:
- Você nunca perdeu nada de mim, o que eu te dei e dou, nunca, ninguém, jamais irá ter.
E calamos, o silêncio era tudo que precisávamos ouvir.


Ainda de te espero,
embora tudo diga que não.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

um breve pensamento...

Acabei de descobrir um dos meus escritores preferidos!
Erotismo puro. Sem receios. Adorei a forma sincera do pensamento masculino que o escritor traduz:

"Eu digo à mulher
que seu rosto é
uma grande experiência
para mim e que
suas mãos são minha
alma - Qualquer coisa
para ela abaixar a
calcinha."

Charles Bukowski

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

01 de setembro

Está tudo bem. Completamente dolorida. Uma perna totalmente roxa. Mas quem nunca sofreu um acidente, não é mesmo? Fiquei assustada ao me ver sem reação atrás do volante, mas não fiquei com medo, mesmo sabendo que poderia ser muito pior e trágico. Ok. Não quero mais falar disso, preciso voltar a dormir, meu corpo não está bem, nem minha mente. O bom é que de tudo se aprende algo, dessa vez a lição foi:

- nenhuma dor carnal consegue ser maior do que uma dor de alma ou de coração.

Então, como eu poderia reclamar de alguma coisa? Fichinha, amanhã já acordo melhor, em dois dias estou 100%.
Pretendo não morrer tão cedo, aos que se preocupam, não se preocupem.


Agora, muito cansaço e dor. Preciso tentar dormir.
......

" pára de olhar a vida
com esse jeito assombrado
o que é que andas vendo
que o pessoal não vê ?"

Hilda Hilst, Tu não te moves de ti...pg 35

.....

dois beijos.

domingo, 31 de agosto de 2008

31 de agosto

(1)
... Enfim, sobrevivi a agosto. Agora mais forças para setembro... mais força para que o tempo passe rápido e eu não desista.
.
.
(2)
Gostei da forma que me olhou hoje, foi sincera. Gostei das palavras que me disse. Gostei da forma que o seu sorriso abriu enquanto eu falava compulsivamente. Não acredite em nada do que eu te disse, acredite na firmeza do meu olhar, na dureza dos meus gestos. Eu não sou feliz a tanto tempo. E me pergunto: o que eu tenho feito para conseguir ser tão triste?? Nenhuma resposta. Mas algo é certo: eu nunca fiz algo tão bem.
.
.
..................
"De tão azul, o céu parecerá pintado. E nós embarcaremos logo rumo à ilhas Cíclades.Houvesse cortinas no quarto, elas tremulariam com a brisa entrando pelas janelas abertas, de manhã bem cedo. Acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. Parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. Respirei fundo. O ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. Setembro estava chegando enfim."

(Quando setembro vier - Caio Fernando Abreu)

sábado, 30 de agosto de 2008

30 de agosto

A minha vontade era te ligar, te escrever um poema de todo tamanho, encher tua caixa postal, te mandar um postal ou uma fotografia ou um livro sobre você, fazer uma serenata, te avisar para me pegar no aeroporto. Eu queria arranjar um jeito de chegar mais perto, de estar mais junto, te grudar um beijo tão tão tão grande e bom que durasse o tempo da ligação, cada letra do poema, cada mensagem deixada, toda a demora de chegar os postais, o som de todas as músicas, mas nunca mais sair de perto de você. Mas tu sabes, eu não vou fazê-lo, tu sabes que não quero te pesar em nada. Tu sabes que vou permanecer quieta, guardando todas as coisas que eu queria te dar, ou te contar durante um café da manhã. Precisava urgente escrever para acalmar toda essas vontades que me dão a toda hora, para não cometê-las, para mantê-las. Melhor que elas me consumam e me matem devagarzinho do que eu chegar com esse mundo todo e te assustar.

"As coisas
nos prendem
junto a elas,
nos contemplam,
nos amam
mas nos prendem
e ficamos calados
na amurada
vendo as coisas
pensarem
no que somos."



Carlos Nejar

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

29 de agosto

A vida era mesmo essa falta que tínhamos um do outro, essa ausência que disfarçávamos em raros recados amorosos, mas não compreendíamos ou na verdade não sabíamos lidar com a espera. Aconteceu que começamos a encher essas faltas com outros abraços, com outros beijos, outros nomes foram surgindo até que toda falta foi preenchida. E depois até a presença que tínhamos foi diminuindo, pois essas “novas outras pessoas” foram começando a tomar conta de tudo. Até o dia que parei de te enviar cartas, e-mails, esquecendo de te retornar ligações. Acho que o que eu queria mesmo era não insistir, porque eu não sabia onde você estava ou para onde tinha começado a ir e me esquecer, e de repente a tua presença foi parecendo desnecessária e tua ausência pouco sentida, pouco notada.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

28 de agosto

Tenho recebido algumas boas surpresas nesses últimos dias. Acho que em resposta a tudo que tenho feito e a tudo que tenho pedido a Deus. E esse medinho sacana de ficar sozinha está desaparecendo assim, tão de repente e tão doce que parece que nunca o senti. Nessa fase em que estou em nível de decisão do que fazer da minha vida, tudo tenho medido ponderadamente, algumas decisões tomei ontem a noite enquanto tentava dormir e chorava. Inevitável a dor. Inevitável deixar alguém ou algumas coisas para trás. Inevitável nos topar com outro alguém ou outras coisas logo ali na frente.
O que é certo, é que nada é tão definitivo, claro que tudo o que decidirmos nos levam a um caminho. Como dizia Bach: “Sou o resultado de todas as decisões que tomei até agora.”. Por isso, preciso pensar... pensar... pensar... daqui uns anos espero me lembrar desses momentos “ferrados” de hoje, e rir muito e me encontrar como uma mulher satisfeita por ter feito boas decisões.
O que dói entre escolher “isso ou aquilo” são todos os planos que cometemos, todos os sonhos sonhados sozinho e juntos. E será que um dia não muito distante (assim espero), vou poder começar a sonhar tudo isso de novo: meus filhos, meu apartamento com vista para o mar ou para Lagoa, ou de frente para um parque tão verde que arde os olhos em Porto Alegre? Será que vou poder pintar uma poesia na parede do meu quarto, será que vou ter alguém para me ler poesias no fim da tarde de domingo? Alguém para fazer amor quando a chuva começar a fazer desenhos na janela? Alguém para caminhar junto comigo? Para ser o super pai herói dos meus cinco filhos? Alguém que vai me abraçar e puxar tão junto, que nem o ar vai poder conseguir nos distanciar?
O que vejo é isso, que posso tomar todas as decisões que me parecerem adequadas, mas que Carine Morandi não é nada sem alguém que a faça sentir amada e que possa partilhar com ela pequenos momentos de felicidade e de delicadeza. Um dia terei sorte, penso eu, de ter alguém para me surpreender a cada dia, e que me diga 500 vezes por dia: “eu te amo”. Sorte aos meus leitores, porque daí com certeza não irão faltar poesias, nem livros... Um dia, meus queridos... um dia!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

27 de agosto



... toda a vida atrás das palpebras, tudo morando sob os cílios que se fecham docementemente atrás de alguma lembrança. Estou extremamente saudosa. Peguei o livro de E.E Cummings, fazia tempo que não lia um dos poetas que foi essencial na minha vida quando... quando o tempo passava tão rápido por estar sendo tão bom... Traduzi um que me fez uma auto leitura íncrivel, que era tudo que eu desejaria e poderia dizer a esse dia frio e ensolarado de agosto:

"Pode não ser sempre assim; e eu digo
que se os seus lábios, que amei, tocarem
os de outra, e os seus ternos fortes dedos aprisionarem
o seu coração, como o meu não há muito tempo;
se no rosto de outra o seu doce cabelo repousar
naquele silêncio que conheço, ou naquelas
grandes contorcidas palavras que, dizendo muito,
permanecem desamparadas diante do espírito ausente;


se assim for, eu digo, se assim for--
você do meu coração, me mande um recado;
para que possa ir até ela, e tomar as suas mãos,
dizendo: Aceita toda a felicidade de mim.
E então voltarei o rosto, e ouvirei um pássaro
cantar terrivelmente longe nas terras perdidas."

terça-feira, 26 de agosto de 2008

26 de agosto

... às 23:49, então ainda é 26 de agosto! E não discuto!

Dois dias de cama, estou péssima. Descansar demais me estraga, definitivamente. Odeio ficar doente e comer comida sem sal, e não aproveitar o sal e sol da vida. Ah, a vida deve estar me limpando... algo bom tem acontecido. Inesperadamente. Dessa vez não vou omitir, não vou deixar passar. Estou com 21 anos, e cara, não tenho muito tempo para perder, tenho muita coisa que desejo fazer nessa vida... E espero que dê tempo. Ao que me acontece, só minha fase Caio para me definir:

"deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado..."


(Caio Fernando Abreu - Para uma Avenca Partindo)

.....

E um beijo para ti,
e um beijo para a vida que é genorosa...

domingo, 24 de agosto de 2008

24 de agosto

Ahh...
Acho que não tem preço para o ego de uma mulher se sentir desejada.

Nada a acrescentar ou descontar a esse fim de semana... inteira!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

21 de agosto - Uma oração

Agradeço o dom que Deus deu ao meu coração de ele se apaixonar quando forças já não há. Agradeço a Deus por nunca me deixar sozinha, por nunca me deixar sofrer em demasia, por sempre colocar alguém na minha vida para que nunca sobre nenhum espaço. Agradeço a Deus por ele ter piedade dos meus pecados, dos meus amores insanos. Agradeço Deus porque tens mais fé em mim do que eu em ti. Porque tu sempre me destes uma esperança, porque tu sempre me destes uma escolha, e outra escolha ainda se eu escolhesse errado. Obrigada por ainda não ter desistido e por estar me mostrando todas as coisas boas que estão para vir. Me perdoe porque não tenho mais orado, porque não tenho mais te procurado, e por sempre teres permanecido comigo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

20 de agosto


Não é o tempo que nos muda, não são as opiniões, os noticiários, as aprendizados, não são os dias no calendário, nem as livros na cabeceira da cama, não são os sermões pregados, os poemas versados, uma essência interior. O que nos muda, transmuta e nos faz às vezes mais, às vezes menos humanos, é o amor. Nenhuma outra coisa que transita pode nos dar olhos de sóis. Nenhuma outra coisa nos dispara o coração antes de qualquer pensamento. Nenhuma outra coisa nos tira o ar e nos deixa ainda mais vivos. Nenhuma outra coisa nos leva a um maior aprendizado seja em tempos de delicadeza ou de dor. Não há nada como o amor, nada que possa ser comparado exato e precisamente. Geralmente é assim com as coisas que se sente.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Preciso dizer mais alguma coisa?

"Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora a ponto de convencê-lo a voltar, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo."

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"Eu preciso muito muito de você, eu quero muito muito você aqui de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando, você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo, você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio, juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você."

(Caio Fernando Abreu)

domingo, 17 de agosto de 2008

17 de agosto

Eu poderia ter gostado de um homem da minha idade, alto, moreno e olhos claros, que mora quase do meu lado e que me trata muito bem. Ou poderia ser aquele cara que me ama, que diz que sou uma princesa, que lê todas as minhas poesias e que me levaria a qualquer lugar do mundo... Mas vai saber porque o coração da gente não obedece, que é justamente quem não deve que ele decide gostar. É logo por quem não te ama (nem nunca vai te amar), que nem te olha, que te ignora e que mora longe... A gente vive amando a pessoa errada, na hora mais errada ainda, mas não quer desistir de acreditar de que poderia ter dado certo... Dizem que sou louca por amar alguém assim tão oposto de mim, mas vai dizer isso ao meu coração! Vai me pedir para esquecer aqueles beijos todos, do contorno de seu rosto, das poesias que ele me fazia escrever pela manhã. Como esquecer aquele peito onde eu deitava, daqueles braços em que eu me esquentava... da face, do gosto, do perfume, do desenho do corpo do homem que eu amei?


junho/2007

Cáh se sentindo assim...

"Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir ,que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem"

("Ggaropaba mon amour", Pedras de Calcutá)
Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"Meu medo se interessa por qualquer ruído. Hoje quero alguém para conversar enquanto dirijo, baixar os faróis em estrada litorânea, enxergar pelas mãos."

Fabricio Carpinejar

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

14 de agosto

As coisas não são tão simples, queridos. Estou ficando um ano mais velha e não só a idade que me pesa, aliás eu que ando a começando a pesar as coisas. Não quero mais nada de qualquer jeito, não quero mais nada incompleto ou mal feito. Preciso agora me organizar para a vida madura que virá, encontrar um amor, encontrar alguém para caminhar comigo, para me dar filhos e para me oferecer um abraço para quando eu quiser desabar. Não quero encontrar minha metade, pois assim como sou inteira, exijo encontrar meu inteiro, esse completo que se encaixa com meu completo. Agora é hora de arrumar as malas que vou levar para a vida toda, cada escolha é muito definitiva, é muito decisiva no sentido de nos guiar por um destino. Até hoje não descobri o que quero, só sei das coisas que me fazem falta. (Puta Merda! Como um telefone faz falta). Mas tenho aprendido a ser dura, a não me abalar, mas principalmente a não me render e ser fraca. Nunca mais vacilar, nunca mais vou mendigar um carinho, uma delicadeza, um restinho de amor. Por isso devo reconhecer meu inteiro, mesmo sabendo que nunca o terei, mas lembrarei da face de um homem que atravessou a Paulista na chuva com duas rosas nas mãos.

Estou apaixonada por esse homem

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Tu sabes que é para ti...

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
.
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Caio Fernando Abreu

terça-feira, 12 de agosto de 2008

12 de agosto

O que ele pensa quando me apronto para afundar meu corpo no seu? Quanta ansiedade contida quando ele me olha, me pega desprevenida, puxa minha cintura, entra seco dentro de mim, me aperta pelos quadris para que eu não tenha chance alguma. Depois me olha, como quem implora para ficar ali, me tirando e colocando algo, muito além do que matéria, que nos torna o amor menos ou mais intenso. Ele me aperta as coxas, eu cravo minhas unhas. E ele vai sempre mais fundo, entra em meu mundo como se fosse o dono, e como se eu tivesse uma espécie de fome, ele me deixa algo sem nome escorrer pelas entranhas. Mas ele demora para me soltar, me balança sobre o que quase já não há, passa as mãos úmidas em minhas costas, ainda me força, ainda quer amar.

Lúbrico


Você vai logo perceber que ele não é uma pessoa fácil.
Um temperamento horrível, me diziam.
E eu, escrevia o nome dele secretamente
nas vidraças, nos elevadores, nos banheiros de cinema.

Você sabe que eu também, às vezes, fico insuportável
com essa mania de querer o impossível.
Mas, devia haver uma brecha nos nossos destinos,
que permitisse um encontro
num quarto de hotel qualquer
uma vez na vida!
furtivos e ordinários,
uma vez e pronto!
horas roubadas...

Não tive jeito de fazer essa proposta
e ele talvez nunca soube o que eu queria.
Carrego comigo o lado oculto de um desejo
passo por ele, sorrio, digo bom dia...


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(Bruna Lombardi)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

11 de agosto

Algumas surpresas nos alegram a vida, como alguém que nos chega com rosas e um sorriso, e escreve em um cartão nossas duas opções de destino: “Você tem duas opções essa noite: me encontrar para jantar ou fazer um filho comigo”. Como não poderia ser diferente... comecei em uma, terminei na outra.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

04 de agosto

Nós sabemos do fogo que há para queimar entre meu corpo e teu, nós sabemos do desejo que existe e que cada vez menos tímido se mostra, nós sabemos que é só uma que questão de tempo e de uma hora oportuna. Vai acontecer, não sou bruxa, mas é impossível não prever. Eu vejo no teu sorriso sacana e como você se apressa só para me cumprimentar, e beijando o rosto com uma vontade de ficar ou me abraça quase que me dedilhando as costas. Você não nega e nem sabe disfarçar. Quando ficamos a sós e você puxa uma conversa sem nexo, me oferece carona na chance do sexo, mas eu recuso só para te provocar. Preciso antes encontrar um jeito de te encaixar na minha vida sem me machucar, eu sei que não vai durar além de uma manhã, de uma tarde ou de uma noite. Preciso saber que tudo que há agora, será consumido em algumas horas, em alguns beijos, enquanto derreto sob ou sobre você.

domingo, 3 de agosto de 2008

03 de agosto


Se a gente soubesse quais seriam os últimos beijos e abraços, a última vez que escutaria aquela voz, sentisse aquele perfume nos impregnando os cabelos. Se ao menos desconfíassemos que depois daquela hora nunca mais haveria outra. Tanta coisa para ser dita, tanta coisa a ser sentida para que não fosse a última chance. Sabe vózinha, eu morro de saudades de você! De te ver saindo do quarto com teu cabelinho branco todo arrumado e já brigando com o vovô! Hoje eu estava revendo umas fotos, são de anos atrás, e em várias delas você usava aquela camisa de seda verde, sua preferida. Me deu uma dor tão grande de quase não lembrar o som do seu riso e de saber que nem posso te visitar nas férias para acordar cedinho e tomar chimarrão, e ouvir as histórias de seus finados e do vovô que você jurava que era um assanhado. Mas agora você deve saber a verdade... O vovô não aguentou de saudades suas e foi logo depois de tua partida. E agora vózinha, na sua casinha rodeada de verde, bem no interior do Rio Grande, não mora mais ninguém. Acho que sua casinha nem está mais lá, mas nunca vou esquecer dela, nem de você e do vôzinho. Nem daquele relógio que vocês tinham que ficava badalando de uma em uma hora e não deixava eu dormir a noite toda. O tio Jacinto tá morando na cidade, pertinho da vó Edith e do vô Aristeu. A vó Edith (sua filha) acho que é quem sente mais saudades. A mãe também. Na verdade todo mundo chora quando fala de vocês. Acho que a gente evita falar para doer menos. Mas a gente pensa sempre, porque a parte do coração que era de vocês fica sempre gritando e se mexendo. Vó, já andei de avião, várias vezes, e nem fiquei com medo, só deu um frio na barriga, mas depois passou, conforme a gente sobe tudo vai ficando pequeninho aqui embaixo, até desaparecer e tudo virar um tapete de nuvens tão branquinhas! Vó, você tinha que ter voado! Você não ia ter medo e ia achar lindo ver as nuvens pelo outro lado. Ah, vózinha, se lembra do meu caderninho azul com uma foquinha na frente? E sabe tudo aquilo que eu escrevia? Pois é, coloquei uns daqueles na internet (internet é um lugar onde todo mundo pode se falar pelo computador) e teve umas pessoas que leram. Já tenho um livro vó, estão até dizendo que sou escritora, depois vou colocar uma das poesias que fiz em uma das férias que passei contigo! Não estão tão bonitas como as de hoje, mas elas lembram você e me trazem o cheiro do campo e da comida feita no fogão a lenha. O Fillyp tá grandão e está jogando futebol muito bem, a mãe tá feliz e teve um outro bebê, o Gabryell, ele é especial vó, você se apaixonaria por ele. O mar, apesar de você não conhecer, está tão azul, que acho que nem ai no céu poderia ser tão azul como ele estava hoje! Vózinha e Vôzinho, não esqueçam de mim, eu ainda tenho o mesmo sorriso de quando desembarcava do ônibus e via vocês.



"o sol me beija
passarinhos cantando
um dia chegando
tão branco no campo
o chimarrão amargo
eu sentada na grama
a vida que demora
de passar nesse lugar"
Miraguai, RS, 2002.

sábado, 2 de agosto de 2008

ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olho
se não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você


(Alice Ruiz - Ninguém me canta como você)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

01 de agosto

Odeio acordar sozinha, odeio não ter ninguém para beijar, para me dar o braço e me acolher de manhã, odeio não ter os pelinhos do peito do companheiro para ficar passando minhas mãos. Não suporto olhar minha cama vazia do lado esquerdo, odeio passar frio, odeio não ter um abraço de bom dia, odeio o quarto tão desorganizado, nenhuma roupa intima atirada no chão, nenhuma mão me acordando e brincando por baixo da minha blusa branca. Odeio saber que ninguém vai me beijar a nuca, as costas, que ninguém vai se encaixar em mim, tão forte e tão intensamente como se nada que viesse no dia pudesse me abalar. Odeio não ter uns olhos para olhar, odeio não ter aquelas coxas e o acordar com um pulo nas pernas. Odeio essas coisas que me fazem falta, esse alguém que não tenho e que não chega...