sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"Meu medo se interessa por qualquer ruído. Hoje quero alguém para conversar enquanto dirijo, baixar os faróis em estrada litorânea, enxergar pelas mãos."

Fabricio Carpinejar

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

14 de agosto

As coisas não são tão simples, queridos. Estou ficando um ano mais velha e não só a idade que me pesa, aliás eu que ando a começando a pesar as coisas. Não quero mais nada de qualquer jeito, não quero mais nada incompleto ou mal feito. Preciso agora me organizar para a vida madura que virá, encontrar um amor, encontrar alguém para caminhar comigo, para me dar filhos e para me oferecer um abraço para quando eu quiser desabar. Não quero encontrar minha metade, pois assim como sou inteira, exijo encontrar meu inteiro, esse completo que se encaixa com meu completo. Agora é hora de arrumar as malas que vou levar para a vida toda, cada escolha é muito definitiva, é muito decisiva no sentido de nos guiar por um destino. Até hoje não descobri o que quero, só sei das coisas que me fazem falta. (Puta Merda! Como um telefone faz falta). Mas tenho aprendido a ser dura, a não me abalar, mas principalmente a não me render e ser fraca. Nunca mais vacilar, nunca mais vou mendigar um carinho, uma delicadeza, um restinho de amor. Por isso devo reconhecer meu inteiro, mesmo sabendo que nunca o terei, mas lembrarei da face de um homem que atravessou a Paulista na chuva com duas rosas nas mãos.

Estou apaixonada por esse homem

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Tu sabes que é para ti...

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
.
.
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 12 de agosto de 2008

12 de agosto

O que ele pensa quando me apronto para afundar meu corpo no seu? Quanta ansiedade contida quando ele me olha, me pega desprevenida, puxa minha cintura, entra seco dentro de mim, me aperta pelos quadris para que eu não tenha chance alguma. Depois me olha, como quem implora para ficar ali, me tirando e colocando algo, muito além do que matéria, que nos torna o amor menos ou mais intenso. Ele me aperta as coxas, eu cravo minhas unhas. E ele vai sempre mais fundo, entra em meu mundo como se fosse o dono, e como se eu tivesse uma espécie de fome, ele me deixa algo sem nome escorrer pelas entranhas. Mas ele demora para me soltar, me balança sobre o que quase já não há, passa as mãos úmidas em minhas costas, ainda me força, ainda quer amar.

Lúbrico


Você vai logo perceber que ele não é uma pessoa fácil.
Um temperamento horrível, me diziam.
E eu, escrevia o nome dele secretamente
nas vidraças, nos elevadores, nos banheiros de cinema.

Você sabe que eu também, às vezes, fico insuportável
com essa mania de querer o impossível.
Mas, devia haver uma brecha nos nossos destinos,
que permitisse um encontro
num quarto de hotel qualquer
uma vez na vida!
furtivos e ordinários,
uma vez e pronto!
horas roubadas...

Não tive jeito de fazer essa proposta
e ele talvez nunca soube o que eu queria.
Carrego comigo o lado oculto de um desejo
passo por ele, sorrio, digo bom dia...


.
(Bruna Lombardi)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

11 de agosto

Algumas surpresas nos alegram a vida, como alguém que nos chega com rosas e um sorriso, e escreve em um cartão nossas duas opções de destino: “Você tem duas opções essa noite: me encontrar para jantar ou fazer um filho comigo”. Como não poderia ser diferente... comecei em uma, terminei na outra.