sexta-feira, 28 de novembro de 2008

28 de novembro

Preciso de uma cura espiritual e sentimental. Meu amor, venha logo. Vem e me faz essa cura, me reestrutura, me conforta, me embala e tira todo fantasma do passado. Vem e me faz nova, me faz completa, me leva pela vida com você.
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" Diz que se você só planta uma espécie de coisa na terra por muitos anos, ela acaba morrendo. A terra, não a coisa plantada, entende? (...) Depois aos poucos vira deserto. Vão ficando uns pontos assim. Vazios, entende? Desérticos. Espalhados por toda a terra. (...) Assim como se você pingasse uma porção de gotas de tinta num mata-borrão. Eles vão se espalhando cada vez mais. Acabam se encontrando uns com os outros um dia, entende. O deserto fica maior. Fica cada vez maior. Os desertos não param nunca de crescer, sabia?"
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(Pela Passagem de uma Grande Dor, Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

27 de novembro

Vou começar dizendo que não quero mais falar de doença e de saúde. No final tudo sempre dará certo, ou não, é muito lógico.
Quero registrar algo muito legal e inesperado que aconteceu ontem. Reencontrei meu ex-namorado no msn e conversamos noite a dentro. Não, não era o Andrew (que ficou mais famoso entre meus leitores, pelas trocas de poemas e por ele ser um poeta de um dom extraordinário. Escreverei sobre ele ainda), mas sim o anterior a ele, meu querido Pedro, o qual se tornou um amigo extraordinário. Pedro é de São Paulo, é bem mais velho do que eu, namoramos quando eu tinha 18 para 19 anos e foi fantástico. Nesse período passei os fim de semanas em pontes áreas. Pedro é um empresário bem sucedido e tem uma história de vida que te prende do inicio ao fim. Bom, foi ele que “redespertou” o meu instinto por escrever, e ele teve muitas poesias que inclusive hoje, ainda circulam muito por aí.
Sempre soubemos que nosso namoro não tinha possibilidade de ser duradouro, tínhamos um abismo de idade entre nós e perspectivas de vida muito diferentes. Aproveitamos o máximo que pudemos. Acho que o amor nunca foi muito adepto ao nosso relacionamento, o que nos atraía era que éramos completamente tarados um pelo outro. Sim, literalmente. Fazíamos coisas absurdas e nos divertíamos muito. Eu levei para ele um pouco de juventude, ele me trouxe um pouco de experiência, e foi assim que nos entendíamos, ora na calma dele, ora na minha pressa. Topávamos tudo, viajamos para lugares que ninguém iria namorar: Vitória, Goiânia, Brasília. Passamos um feriado em Mariscal, mas tivemos tanta sorte que não parou de chover durante os três dias, então ficamos jogando cartas e “stop”, saímos uma única vez da pousada para comprar chocolate e depois não saímos mais. Nos entendíamos no tédio e na diversão.
Tem um fim de semana que nunca esqueço, foi em São Paulo. Não ficamos no apartamento dele. Ele reservou uma suíte lindíssima no Renaissance Hotel, na primeira noite assistimos uma peça de teatro no próprio hotel e depois fomos jantar no Chackras. Sábado de manhã fomos caminhar no Ibirapuera, almoçamos no Quartino no Cerqueira César, a tarde não agüentamos e dormimos. De noite fomos assistir ao Fantasma da Ópera, e quando voltamos ele tinha deixado para me preparar o quarto cheinho de pétalas de rosas, desde o chão, cama, hidromassagem e tivemos uma noite que ambos jamais poderiam esquecer. Dançamos muito antes de ir para cama. Lembro que no outro dia de manhã quando ele me acordou e foi para o banho, peguei o roupão, sentei na escrivaninha que dava de frente a uma enorme janela de vidro de onde se podia ver todo os Jardins, e lhe escrevi um poema a punho. Ele guarda o poema até hoje. Foi esse:


São as primeiras horas
Da semana que inicia:
Vinte e nove do primeiro mês.
E meu primeiro pensamento...
é teu.
Acordo sem ser dona de mim
E tudo te pertence:
O gosto na minha boca;
O cheiro na minha pele;
As palavras que solto;
Meus olhos que buscam teus olhos;
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Desde o primeiro dia
Nada mais me pertenceu.
Não fui dona de mais nada.
De tudo que te entreguei
Me reinventas-te.
Me inundas-te.
Me invadis-te.
E nunca fui tão completa,
Tão repleta,
Tão minha
...sendo tão tua.


Faz tempo, mas ainda me vejo naquela manhã, lembro até do ar gelado no quarto, lembro que ele saiu do banho também vestindo um roupão e me abraçou pela cintura enquanto eu observava em pé diante da janela São Paulo amanhecendo.

Essa é música que dançamos naquele sábado de madruga, e era ele mesmo quem cantava:

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

26 de novembro

Hoje senti na pele as conseqüências das chuvas em Santa Catarina. Liguei para o meu plano de saúde para agendar um médico, mas os serviços estão suspensos até o dia 01/12. Devido as cheias, alguns médicos não conseguem chegar nas clínicas e hospitais, alguns estão envolvidos no socorro das vítimas e os hospitais estão atendendo somente casos de emergência. Paciência, entendo que realmente meu caso não tem importância diante da situação do meu estado. Ficarei bem, comprei soro e estou tomando, e agora final da tarde consegui comer duas bolachinhas de água sal e uma sopinha. Não voltou... Só algum problema no estômago que logo passará, se Deus quiser. Acho que o soro me animou um pouco e não estou me sentindo tão fraca e com uma dor de cabeça apenas de leve.
Voltou a chover hoje na região, e pelo jeito, o meu menino não terá descanso e nem previsão de voltar para casa nos próximos dias. Triste, ninguém para cuidar de mim, apesar de nos ligarmos e passarmos sms o dia todo.
Crônicas para terminar, mas a minha saúde frágil infelizmente não contribui para que fluam as idéias. Perdão leitores, mas não estou conseguindo escrever.
Comecei a reler “A casa dos budas ditosos” e já terminei agora a tarde. Acho que hoje vou começar a reler “Macunaíma”... fases de releituras. Por que? Não sei. Mas não tenho vontade de abrir novos livros, por enquanto.
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"- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora."
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(Caio Fernando Abreu)
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

25 de novembro

Não ando muito bem e me refiro a saúde. Como disse em um post anterior, há dias que não consigo comer. E realmente não consigo, não é nada de modismo ou para emagrecer. Sinto fome, às vezes, não sempre, mas o que não sinto é vontade de comer. Não posso nem sentir cheiro de comida que me dá nojo. Hoje tentei almoçar, mas o pouco que “enfiei” garganta abaixo não durou mais do que uma hora: vomitei espontâneamente. Nada fica no meu estômago e estou me sentindo fraca, com dores no corpo, excessiva dor de cabeça e tonturas. Acho que amanhã vou procurar um médico ou serei levada à força por minha mãe. Não tenho idéia do que possa ser, no princípio até pensei que fosse alguma coisa estragada que comi, mas estou entrando na terceira semana e realmente não estou com mais forças e ânimo para continuar comendo fruta ou sopa.

Quanto ao menino do livro está tudo bem. Estou muito feliz por essa nova chance de amor ou de paixão, ou não importa. Importa é que ele tem concentrado 80% dos meus pensamentos, 100% do meu corpo e deixado meu coração leve e esperançoso.
Não nos vimos desde sexta-feira passada, quando fomos a chopperia com minha turma da faculde. Devido as chuvas em Santa Catarina, ele teve que ir no sábado para Blumenau e ainda não voltou (hunpf...:/). Ele é jornalista e tem muito trabalho para esses dias.
Sinto falta dele agora, já que minha cabeça está explodindo e vou dormir sozinha nesse meu “camão”. Paciência, daqui uns dias ele vai ser meu todas as noites e dias, e anos... e por quanto durar nosso encantamento. (Tô com saudades, tá? E já vou te ligar...)

Então é só isso, não estou bem para ficar na frente do computador, vou ler um pouco, aliás reler “A casa dos budas ditosos” de João Ubaldo Ribeiro. Não leu ainda? Eu indico!

Beijos e até.

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"O tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias, como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo, mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer. Eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar, que eu amava quando imaginava que amava. Era a tua voz que dizia as palavras da vida. Era o teu rosto. Era a tua pele. Antes de te conhecer, existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde. Muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade."

José Luis Peixoto

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Um dos meus mestres favoritos...


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

24 de novembro

O dia foi bom, fiz bastante coisas, mas a noite acabou comigo. Não tô nem com vontade de escrever. Como dizem, e já que estou me sentindo um lixo, boa noite.
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"Um dia tu vais compreender que não existe nenhuma pessoa totalmente má, nenhuma pessoa completamente boa. Tu vais ver que todos nós somos apenas humanos. E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí sim, todos te virarão as costas e te acharão mau por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes? "
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Caio Fernando Abreu

domingo, 23 de novembro de 2008

23 de novembro


A situação em Santa Catarina está realmente alarmante. Em minha cidade, graças a Deus, os prejuízos foram poucos. Mas como é litoral, as cidades são muito vizinhas umas das outras, e Itajaí, Blumenau, Gaspar, Luis Alves estão em estados de calamidade. Até agora já foram registrados 16 mortos enquanto a chuva não para de cair. A tarde fomos ajudar dois funcionários de meu pai que moram em um bairro mais carente, conseguimos retirar algumas coisas, mas as casas infelizmente já estão cheias de água. Depois meu pai foi para Itajaí, mas chegou tarde demais, um dos funcionários dele perdeu tudo, literalmente, a água cobriu a casa, junto com todo o bairro Pró-morar. Sim, o bairro deixou de existir, virou uma enorme lagoa aonde só se vê alguns poucos telhados de casa. Agora esses que perderam tudo e meu pai, estão lá ajudando outras pessoas, já que nem os bombeiros e a defesa pública estão dando conta das ocorrências. Meu pai cedeu um dos galpões da empresa (meu pai trabalha com cargas frigoríficas/carga e descarga de containeres) e estão levando algumas coisas para lá, inclusive pessoas conhecidas que estão desabrigadas. Acabei de chegar, moramos a 30 km da onde a empresa se localiza. Levei mantimentos para que pudessem comer alguma coisa hoje. Era o que tínhamos em casa, já que mercados estão fechados. Muito triste, há pessoas que levarão muitos anos para reconstituir o que perderam de uma hora para a outra. A única coisa que podemos fazer é apenas ser solidários e orar. Orar para que Deus tenha um pouco de piedade, já que quem mais sofre com isso são pessoas já carentes, e as que poderiam ajudar, nem sempre estão dispostas.