sábado, 4 de outubro de 2008

04 de outubro

"...Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho..."


(Não é fácil - Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

03 de outubro - A poesia

Eu gosto de fechar os olhos. Sei que há muita coisa bonita no mundo: praias, campos, arquiteturas, primaveras, céus tão azulzinhos, as faces das pessoas, a maneira que cada sorriso se abre, que cada cabelo balança, a cor que se destaca na roupa e na pele, os tons das peles, os tons do sol se pondo, os tons que os dedos dão no piano, o violão na mão do músico, o corpo que lembra o violão, os pássaros nas flores, as flores na janela. Mas se gosto de fechar os olhos, não é porque não acredito ou não queira essa beleza toda, mas que olhando para dentro de mim, encontro coisas, formas, faces, esperanças que não vejo aqui fora, faço as coisas que aqui não sou permitida, invento coisas que não precisam maior burocracia do que soltar o pensamento, e vejo uma beleza tão grande e tão doce de ver, tão livre e inocente, que chega a ser egoísta de tão minha que se torna, e que extravasa algumas vezes, raras e dolorosas vezes, em uma poesia. Porque é difícil escrever sobre as coisas que se vê, sobre as coisas que se sente, sobre todas as coisas de um mundo particular que cada um tem para si. Poesia é coisa muito séria, muito íntima. Poesia é uma fé que a gente tem sobre a gente mesmo. É uma primavera que pode nascer e acabar a qualquer hora do dia. Fechar os olhos é muito arriscado, porque qualquer coisa que se sente pode querer borbulhar, flutuar, fugir para fora e virar palavra.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

02 de outubro

(Alexandre Spinelli)


Estava meio sem assunto para hoje. Nem sempre a inspiração nos é generosa. Ela só apareceu no fim da tarde, me presenteando com uma curta e boa conversa com meu amigo poeta Alexandre Spinelli. Acabou de chegar “das Europas”, e esteve, durante todo o período que esteve por lá, me enviando fotos e comentários por onde passava. De certa forma me senti com ele inúmeras vezes! Achei de uma delicadeza incrível, escrever sempre e compartilhar conosco tantas belezas. Spinelli tem uma alma generosa, tem poemas sensibilíssimos e além do mais vai me acompanhar muito nas minhas noitadas por Porto Alegre. Vamos beber muito chopp, fazer muito fondue, caminhar pela Cidade Baixa, tomar um mate na Beira Guaíba. Tenho certeza que encontrei uma boa companhia para estar longe de casa. Dois solteirões, dois poetas, na encantadora Porto Alegre... Em breve, novos capítulos! Rs*
Spinelli, nem pedi autorização, mas me deu vontade de falar de ti. E colocar essa foto tua que adorei! Até logo querido... Muitos pôr-do-sóis acompanhados de mate e poesia nos serão vindouros!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

01 de outubro - Sobre a nudez

Estávamos nus um frente ao outro. Não nos sentíamos tímidos ou envergonhados. Estivemos assim, despidos, desde a primeira vez. Aonde nenhuma palavra poderia ser duvidosa, nenhum gesto incerto. Nós possuímos uma verdade absoluta: não queríamos mais nada além de uma possibilidade. De uma chance que nos trouxesse a vida novamente. É bom estar nu na frente de quem se ama, nenhuma máscara finge a feição da face, nenhum pano esconde o que o outro já conhece a dedos e bocas. O corpo tenta esconder a alma, mas a alma também está nua, e dançando, na retina dos olhos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

30 de setembro

Final do mês. Dinheiro na carteira. Dinheiro no banco. Há tantas pessoas que estariam felizes pelo “glorioso” fato. E do que nos vale tamanha miséria. Eu deixo o dinheiro, são só as coisas básicas que ele me paga; comer, vestir. Saio pouco, viajo quando me sobra tempo. E se ao menos pudesse comprar um coração de um alguém, e com muita sorte um coração com amor. Com que dinheiro se compra um pouquinho de alguém? Eu não sei... Eu não sei... eu me vendo a qualquer sorriso.

Deus, dê esperança aos que não tem, como eu. Amém.
...

"Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor."

Carlos Drummond in "A Flor e a Náusea" - trecho

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

29 de Setembro - A recompensa

Nunca imaginei que escrever fosse dar em alguma coisa. Sempre escrevi pelo amor pelas escrita e também pela necessidade de por para fora as coisas que eu sentia. Fico feliz em receber tantos e-mails e mensagens de carinho no orkut. Fiquei feliz com o retorno que obtive sobre o primeiro livro. Acho que as pessoas precisam um pouco de poesia, de sentimento, sentem falta disso. Prometo não falhar com meus leitores, a vida para mim é a escrita. Impossível parar ou deixar de fazer. Só tem faltado um pouquinho de inspiração, mas tenho certeza que logo virá...
Lembro que escrevi um pequeno poema, chamado "Poema para Viagem":

"quando sentir saudades
me lê em algum poema de Ruiz
em algum detalhe de Neruda
em algo que te faz feliz;
e como poucos homens
entre raros loucos e amados
me terás como um verso
que nunca para de sorrir"

Citando os poetas que faziam parte do relacionamento que eu vivia, e como eles contribuiam para dar encantamento para aquilo que viviamos. Fiquei muito feliz, quando ontem, recebi um e-mail em forma de poema, que uma leitora fez ao seu namorado e me encaminhou. Fiquei meia surpresa ao ver que você começa a ser uma referência, que as pessoas compartilham meus poemas, se identificam dentro deles. É uma alegria enorme... Segue o e-mail:

"Falei com você pelo orkut; a respeito de algo que escrevi pra uma certa pessoa.Pensei em te enviar pois foi sua métrica; a inspiração que alcancei...Espero que a ajude entender o que sentimos quando esperamos tanto pelas suas poesias...
Um BjO e sucesso sempre.....

Quando eu não estiver mais por perto;
Sentindo saudades minhas:
Leia-me nos versos “Morandi”...
Sim. Aqueles mesmo que me apresentou
Noutro dia... De uma poetisa chamada Cáh
(Um sobrenome que me lembra morango)
E ela escreve vermelho; feito o sangue,
Que me corre nas veias... Vida!
Nas letras que ela caminha
Descobri ser por vezes minha cama
E das muitas coisas que eu senti
Ela decretou verdade concisa
Céus; parecia que eu era um livro...
Portanto; se der saudade de um beijo;
Ela conseguiu uma façanha divina!
Eternizar em um verso um beijo que não finda
Procure-me entre as letras dessa poetisa
Ela descreveu com palavras
A nossa cama, nossa vida, você em mim...
Quando eu não estiver mais aqui...

(Rachel Cortelassi)"
....

Obrigada Raquel, obrigado as leitores dos poemas de Cáh Morandi, que eles sempre se revelem de uma forma única e particular a cada um de vocês.

domingo, 28 de setembro de 2008

28 de setembro


Cheguei agora a pouco de Curitiba, estou extremamente cansada e preciso urgente dormir. A noite de sábado foi ótima, ficamos com um casal de amigos jogando canastra e tomando caipirinha até o inicio da madrugada. Fazia muito tempo que não ria tanto e ainda pude usufruir de dois amigos maravilhosos que tanto tempo não via. Acordamos cedinho, fazia um tempo nublado em Curitiba, mas resolvemos ir tomar um chimarrão no Jardim Botânico e caminhar. Adorei passar a manhã no parque, sentada na grama, tomando um chimarrão, conversando e até escrevendo poesia. Acho que as companhias que temos é que fazem que o local se torne ainda mais agradável. Foi um final de semana maravilhoso, cheio de amizade e descobertas, e que me fizeram criar expectativas de algo antes não previsto, mas que tenho que reavaliar. Embora que a oportunidade que se mostra é uma que esperei por muito tempo na vida, mas já não sei se é o que quero. Ando confusa, mas logo terei as respostas. Queria que ainda fosse hoje de manhã cedinho...