sábado, 20 de setembro de 2008

20 de setembro



Tenho muitas coisas para falar. De ontem para hoje muitas coisas aconteceram, mas eu não quero descrever essas experiências agora, não estou com vontade de partilhá-las, embora sejam experiências de grande valia. Estou ruim, estou com cólica, estou com saudade no peito e embaraço na alma. Jogando uma vida toda fora, porque prefiro deixar de conquistar novas coisas pelo medo de perdê-las. Você tem uma coisa te remoendo a mente, e ainda não passam das onze da noite. Você tem uma madrugada longa para atravessar, sozinha. Você tem todas as coisas que não quis essa noite. Você tem essa noite, e é só isso. Você tem todas as noites que virão. E um dia você vai ter alguém para atravessá-la, juntos.

“...meus melhores beijos serão seus...
quero dançar com você, dançar com você...”

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

19 de setembro - Uma confissão


É estranho o que sinto por ti, tão estranho e tão bonito, tão estranho e tão doce. Desde que o acaso nos cruzou, assim, como as coisas mais impossíveis que acontecem, ou outros que chamariam isso de milagre. No momento não abalou nada, não estremeceu, não explodiu coisa alguma. Você foi caindo assim, como uma pena que brinca no ar, de um lado para o outro, até pousar leve e suave no lado bom de meu coração. Eu não suspeitava que aquela peninha, tão levinha e tímida pudesse fazer com o improvável acontecesse. É diferente das coisas que já vivi, é ao contrário de toda ansiedade que tenho e tive quando apenas supunha a possibilidade de encontrar alguém. Com você está tudo ao avesso, eu não estou com pressa, eu não estou roendo as unhas. Cada pouquinho que recebo de ti degusto com todo cuidado e aproveito que posso, é que você quer que eu te conheça aos detalhes. É algo impossível, qualquer um que me conhece diria, mas eu não penso em você de todas as formas, não penso em te beijar, não penso em dormir contigo, porque tudo, quando acontecer, vai ser tão perto do perfeito, e eu sei e nem desconfio de que poderia ser ao contrário. Sempre que penso em você (e tenho pensado muito), penso em você sorrindo, penso em você dando a mão para mim, penso em um caminho branco, iluminadíssimo, onde pisamos em milhares de estrelas, e que eu não sei aonde vai dar, não sei que fim que vai ter. Mas quando penso em você, penso só em coisas bonitas, em coisas que tem ar de paz, em coisas que me fazem tão leve, tão feminina, tão sensível. Eu não quero perder o que você me faz ser, o que você me faz querer ser. Eu não quero perder meus bons pensamentos e nem a chance de sonhar de novo com algo tão bom. Eu gosto de você pela beleza que você me faz ver mesmo de olhos fechados.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

18 de setembro

Ele me liga, diz que faz tanto que não nos vemos. Eu solto um sorriso do lado de cá da linha. Sei que ele gosta de ouvir meu riso, sei que ele gosta da forma que meus lábios se abrem. Muitas chances de nos topar, mas porque te encarar de frente de novo? Porque sentir novamente não saber o que fazer com os planos que fizemos juntos? Porque, se não vou encontrar o mesmo cara de antes? Eu tenho saudades de quem tu eras. Tenho saudades de quem eras quando te conheci, de quem eras quando me apaixonei. O que sobrou de ti foi só a mesma face daquele homem que me tirava o ar, que me tirava o chão, que me tirava o sono. E te olhar, assim, por fora, vai me dar saudade de alguém que já não existe mais. De alguém, que um dia foi “nós”, comigo. De alguém que perdi em alguma parte do caminho que já não reconheço. Sei que você nunca mais me viu, sei porque não deixei mais que isso acontecesse. Mas tu não sabes quantas madrugadas atravessei e ainda vou atravessar olhando as fotos que pousamos juntos. Tu não desconfias como todos os livros que tu me desses ficam me torturando ao olhar na estante. Tu não sabes como dói olhar para ti atrás da vidraça escura do carro, atrás do jornal na cafeteria, atrás dos postes nas avenidas. Tu não sabes, mas olhar dói tanto.

17 de setembro


O mais estranho é que queremos ser sempre tão felizes, tão realizados, tão bem amados. E que quando temos ou recebemos isso, jogamos fora. Assim, simples. Quando a gente percebe que era aquilo ou aquele que era tudo que queríamos, já é tarde. Tão tarde que não há nada para remediar, para trazer de volta. Aí, você passa uma tarde de quarta olhando o sol pela janela, escutando o barulho do vento nas folhas da árvore do vizinho, pensando como você conseguiu ser tão infantil e tão ansioso. Eu que preferi não ser feliz a vida toda, porque não puder esperar alguns meses. Porque eu tinha tanta fome, eu tinha uma sede dele. Mas eu não podia esperar... Esperar alguém que eu havia passado a vida esperando, e que vou passar o restante tentando esquecer. Eu sempre pensei que a felicidade era uma coisa muito grande, muito intocável. Agora sei, que a felicidade era fazer amor antes do café da manhã e fazê-lo rindo um para o outro, era a mão dele alisando meus cabelos enquanto passava o filme na TV, era os braços dele estendidos nos domingos a tarde no tapete indiano me esperando para ler, era os bons momentos aos lados de nossos amigos, era caminharmos na praia nas manhãs de dezembro antes que o verão desconfiasse. Eu sempre percebi tarde demais a real possibilidade do amor. Tudo sempre foi tão passageiro na minha vida, como eu desconfiaria que não seria assim com você também? Como eu poderia supor que só porque eu tinha um riso constante aquilo era amor? Eu no fundo quero crer que foi só uma amizade, mais um caso, mais um cara, mais um entre outros que já passaram. Mas não tenho tanta fé para isso. Não tenho tanta covardia para isso. Mas sei que o significado de felicidade para mim, pelo menos por enquanto, é uma lembrança que eu quase posso tocar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

16 de setembro

Os dias tem sido longos. Demasiadamente longos. Quando sol, a tardinha, começa invadir a sala onde trabalho, sei que está quase na hora de ir embora. Me dá um aperto, tenho tanta sede de ser livre. De que nos vale a vida se passamos a maior parte dela em uma sala de trabalho? Trancafiados, bebendo café, digitando textos, formatando planilhas. E quase ninguém na praia, na sorveteria, na sombra da árvore da pracinha. Vida injusta. Não quero falar muito. Fico indignada com sacanagens desse tipo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

15 de setembro

Escrevo no meio da madrugada para não perder a lembrança, repinto as paredes de tons claros, organizo as roupas por cor no armário, abro as cortinas do quarto de manhã, passo o café enquanto tomo banho, escolho sempre os vestidos floridos, uma barra de chocolate para cada filme, música de Tom para passar a tarde, manga e morango no café cedinho. Dou um jeito em quase tudo no mundo que agora é só meu, é que me dá alguma coisa: um sufoco, um aperto. Nem sempre reparo porque eu faço tudo isso. Acho que. Penso que. Sem dúvida que.Eu tenho tanto, tanto medo de esquecer você.

domingo, 14 de setembro de 2008

14 de setembro - Meu ex: o cigarro.

Já faz cinco meses que abandonei o cigarro. Acho que ele está mais conformado. Apesar de insistir freqüentando os mesmo restaurantes, bares, postos de conveniências... Mas aos poucos sua presença foi se tornando indiferente. Difícil, claro. Tenho tentado procurar um vício menos maléfico: alguns amigos me indicaram sexo, mas porra, ficar trepando de uma em uma hora e em lugares públicos não me pareceu adequado. Outros amigos me indicaram esportes, mas em meu caso, a academia com muito sacríficio é o máximo que consigo. Comida nem pensar. Então tenho tomado café, excessivamente. Às vezes um chá. Não sei como isso tem dado certo, pois antes o café era companhia do cigarro em minhas tardes de ócio produtivo. Meus dentes estão mais amarelos do que quando eu fumava, não tenho tossido a não ser em caso de gripe. Então abandoná-lo, o cigarro, me parece ter ainda mais pontos positivos. Apesar de que sofro em algumas horas em que o “maldito” se fazia necessário: depois de transar, no stress do trabalho, no intervalo da faculdade, depois do almoço. Puta merda, vez em quando fico indignada com Deus, inúmeras pessoas tem bons vícios: caminhar na praia, não comer carne vermelha, malhar, mania de organização e limpeza. E porque eu, que sempre tive uma vida cheia de boas opções, fui justamente me interessar em fumar? Estranho. Alguns especialistas dizem que a tal da nicotina que vicia. Não acredite, meu caro, isso é uma droga de mentira. A gente que fuma (fumava, aliás) tem uma necessidade estranha, que não sei por ser falha de Deus ou sacanagem do diabo, de querer ter algo ou alguma coisa nas mãos.