sábado, 22 de novembro de 2008

22 de novembro

Sábado chuvoso e frio. Como devem ter visto nos jornais e na televisão, Santa Catarina decretou estado de emergência devido a chuva que tem castigado severamente 48 cidades do estado. Minha cidade é litorânea e graças a Deus (apesar de não parar de cair água) ainda não tivemos grandes problemas, a não ser alagamentos em alguma ruas que não possuíam um bom sistema de esgoto. Apesar de eu gostar muito de chuva, confesso que essa demasia têm me cansado e privado de muitas coisas que tenho que fazer.
De manhã foi a minha última aulinha na oficina de poesias e dá uma dorzinha no peito em saber que não nos veremos novamente. A tarde fui obrigada a dormir, passei a outra noite em claro bebendo e conversando com os colegas da facul. Dia 29 (sábado), será nossa grande última festa... e vou me preparar a semana toda.
Estou com duas crônicas sem fim e duas poesias sem começo para concluir. E infelizmente não consigo fazer as palavras se adequarem ao texto, mas tudo bem, quando for para ser, será.

Com essa chuva minha única opção é ficar em casa. Já que o menino do livro tá trabalhando em Blumenau e nem pode me namorar um pouquinho nesse tempinho geladinho. Unpff... fazer o quê. Vou ler e dormir.

E em homenagem ao forró que dancei ontem:

21 de novembro

Sexta-feira muito corrida. Tempo agendado: manicure, depilação, traduções e chopp com o pessoal da faculdade. Pensei em voltar para casa antes das 21:00h, cheguei hoje às 05:00h da manhã.
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Preciso dormir um pouco. Já é sábado e ainda não consegui deitar.
Dois beijos.
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"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."
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(Caio Fernando Abreu)
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Ô você, tá difícil de entender que te amo? Que te quero muito muito muito? Que essa vontade sufocante de passar a vida com você está me consumindo? Você é um besta, um bobo. Você não deveria deixar que eu apenas passasse na sua vida. Me leva pra você, senão não irá dar tempo de eu engravidar dos nossos cinco filhos e escrever um poema na parede do nosso quarto.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de novembro

Outro dia peguei o João na creche. João é meu afilhado, lindo por sinal. Vínhamos de mãos dadas até o carro, percebi que ele queria me dizer alguma coisa, mas estava ainda pensado se diria ou não. Levei-o para fazer um lanche, com direito a sorvete no final. Gosto de respirar o mesmo ar que ele, um ar de inocência, de delicadeza, que às vezes quase perco a lembrança. Ele me fita, ri lambuzado do creme, conta dos amiguinhos, do que vai ser quando crescer, mas tem medo de dizer o que realmente quer.Voltamos em silêncio para sua casa, quando estacionei o carro e comecei a me arrumar para desembarcar, ele disse:
- Dinda, sabe a Giovana?
- Sim, tua coleguinha da creche?
- É... Dinda... Eu acho que estou amando ela.
Eu ri, talvez ele tenha pensado que eu ri delicadamente, mas não: minha primeira reação foi achar engraçado. Como um menino de 5 anos pode dizer que ama alguém? Amar alguém que provocaria um relacionamento? Depois parei com esse sarcasmo e minha ignorância me deixou tímida diante do meu afilhado. Como pude desconfiar de que talvez ele realmente a amasse, e ainda com mais pureza e verdade do que todos os amores que já tive? Como pude zombar das horas que ele passava antes de ir para aula escolhendo a maçã mais vermelha e madura para dividir com ela no recreio? Como pude não entender o por que dele me pedir uma camisa nova em vez de um brinquedo? Como não reparei que agora meu afilhado tinha olhinhos ainda mais brilhantes e felizes? Como não percebi que o cheiro forte de perfume não foi acidental, mas sim por que ele ia passar a tarde com uma menina chamada Giovana?
Ele era pequeno, mas também possuía emoções, eu não poderia ser tão desumana e fazer ele desacreditar de que talvez um dia se casassem, que morassem juntos, que tivessem filhos.E se casassem? E se passassem a infância e juventude inteiras esperando um pelo outro? Se daqui 20 anos me convidassem para ser madrinha do primeiro filho? Eu não poderia, não seria capaz de cortar uma esperança, muito menos o primeiro amor do meu afilhado.
- Ama ela?
- Sim, Dinda... Mas a mamãe disse que eu sou muito novo para amar.
- É que talvez sua mãe tenha medo. O amor é sério...
- Mas então por que o amor existe se a gente não pode sentir?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

19 de novembro

De fato, estou muito cansada. Faz três noites que praticamente não durmo, e parece que essa será a quarta. Estou trabalhando muito, escrevendo excessivamente, e comendo muito pouco. Ando com repuna de comida nas últimas duas semanas, total repuna, só de pensar em comida me dá um embrulho no estômago. Passei na livraria início da noite comprar um livro (Longe é um lugar que não existe – Richard Bach) para presentear uma amiga, aproveitei e comprei o dvd Leoni (3 em 1). Na volta, passei na casa do menino do livro, cheguei agora. Meu corpo pesa muito, e estou com um pouco de dor de cabeça.
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Preciso orar. Preciso de um pouco de Deus para os dias (bons) que virão.
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"mas se, apesar de banal,
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal, do sal, do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas, três, dez, cem, mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
a cada milagrimas"

(Alice Ruiz)
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(998)
(999)
(milagre)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

18 de novembro

Não deu de escrever ontem porque acabei não dormindo em casa, mas em troca tive uma noite maravilhosa, cheguei em casa um poucos depois das 8:15 da manhã e embora o dia esteja lindo, eu queria que demorasse mais algumas horas para amanhecer. Ele, o menino do livro, me surpreendeu e me deixou grudadinha nele a noite toda. Bom demais dormir abraçadinho, ahhh, como eu sentia falta de alguém para me abraçar de noite, cruzar as pernas comigo, roncar na minha nuca, receber o primeiro elogio ainda na cama, fazer amor antes do café da manhã. Não esperava que fosse já, nem que o sentimento fosse tão recíproco. Mas agora, seu moço, já que você vai vir aqui ler o que escrevo e já escrevi sobre você, espero que vá com calma com esse meu coração e entenda o que te expliquei ontem a noite, antes de dormir e depois dos beijinhos no pescoço. Obrigada por ontem e obrigada pelo beijo com gostinho de abacaxi hoje de manhã.

A vida borbulhando. Vamos ver para onde esse vento está me levando?
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"Ele gostava quando ela dizia sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. E de quando ele falava calma, você tá tensa, vem cá, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passa de um menino bobo".
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(Caio Fernando Abreu)

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

17 de novembro

Escrevo mais depois... Agora vou me arrumar, vou encontrar o menino do livro e beijar um cadinho. (Feliz??? Quase nada...rs)

domingo, 16 de novembro de 2008

16 de novembro

Várias pessoas já me perguntaram por que divido a maioria de meus textos e poemas em meu sites, ao invés de resguardá-los para os livros. Simples, nem todas as pessoas tem tempo para ir nas livrarias ou param para ler um livro, e vocês sabem que estou sendo sincera, e acho que não tenho direito de privá-las: se gostam de me ler, leiam. Enquanto lêem um e-mail, atualizam seus blogs, fotologs, orkut. Não tenho intenção de ser nenhum best-seller (e nem tanto talento para isso), então aos meus queridos leitores o direito de me ler. Gosto de livros, estou trabalhando neles, aos que compram fico muito feliz por levar um pedaço de mim para casa. A parte mais difícil é colocar o preço (preço não, valor), isso me dói, como é dolorido cobrar aquilo que te é dado de graça. Cobro sim os trabalhos que faço, aqueles que tenho obrigação de escrever ou ir, os demais (livros), me pesam mais a consciência do que o bolso. Tanto que o dinheiro do primeiro livro reverti para minha oficina de poesia: do lucro da poesia pelo direito de conhecer poesia. E isso sim me deixou muito feliz. Sábado que vem é nossa última aula, vou levar meus pequenos ao sebo, já separamos (eu e a dona do sebo) alguns livros de literatura infantil e poesia para que cada um deles escolha um livro como presente de Natal. Darei a eles também um exemplar de meu primeiro livro infantil, que a Prefeitura apoiou e imprimiu algumas cópias. O livro foi ilustrado pela minha amiga-irmã Melissa, e conta a história de um gatinho laranja sol-poente que queria ser um leão. O livro não está a venda, ficará engavetado para um dia, quem sabe, ser novamente utilizado. Acho que meus aluninhos são merecedores desse meu pequeno gesto, são muito carinhosos e se dedicaram muito aos nossos encontros. Hoje li o que produzimos ontem pela manhã, pedi que deixassem um recado, após a produção, sobre o que mais gostaram em nossas oficinas. A maioria dos recados vieram para mim, e me emocionei. Nunca tive a medida de como você pode tocar a outra pessoa por ser quem você é. O recadinho que mais me tocou:


“Gostei mais quando a gente podia ler os poemas da gente, porque a gente pensa que é como um escritor que está nos livros. E gostei da professora por que ela lia para gente, e toda vez que ela lia eu tinha vontade de escutar.”

(Isabel, 12 anos.)

O que pode ser mais recompensador? E daí devo concordar: há coisas que o dinheiro não compra.