sábado, 13 de setembro de 2008

13 de setembro

Pensei seriamente sobre não chorar hoje. E assim fiz. Acho que tenho perdido tempo demais me passando por coitadinha aqui nesse quarto que nada me consola. Tem tanta coisa para se fazer, ver, ter. Tem tantas pessoas para querer, ver, ter. O que me levou a um cálculo matemático muito preciso: mais possibilidades de ser feliz do que pensar em como se pode ser mais triste. E um sorriso, tímido, me dá uma boa noite.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

12 de setembro

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.



Cáh Morandi

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro



O que eu mais gostava nele eram as coisas que ele não me dizia, tanto pelas expectativas que elas me causavam, tanto porque assim eu poderia imaginá-las a minha maneira. E isso era também uma forma de sentir menos dor e sofrimento, assim eu poderia pensar que ele nunca teve um outro amor e que adorasse as torradinhas com tomate seco e queijo no café da manhã. Ele nunca me negou nada, mas também nunca se precipitou a me surpreender. Era um homem de reservas, sem demonstrar nos gestos grandes turbulências. Amava sempre calmo e sempre fundo. Amava sempre olhando nos olhos, e eram nesses momentos que eu captava um pouco de tanto silêncio guardado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

10 de setembro

Eram quatro da tarde quando entrei no carro para ir na casa do seu Arlindo. Seu Arlindo é um senhor de 80 e poucos anos, meu leitor, muito querido e gaúcho, hoje combinamos de tomar um chimarrão e nos alegrarmos com nossas conversas. Uma das coisas que gostei de aprender foi ouvir. Particularmente, escutar seu Arlindo me enriquece. Ele ri, tão meigo. Saí de lá quase seis horas, aproveitei para ir cortar os cabelos, fazer a sombrancelha e depilação. As unhas ficaram para sexta, ainda aguentam mais um dia. Voltar para casa, dirigindo de cabeça erguida e faróis baixos, longa beira mar... não dava de ver a água, mas ouvir o quebrar das ondas era um presente. Um bom banho, deixar a pele úmida e de leve espalhar o oléo de amendôas, por cada dobrinha da pele, por cada declive que os ossos nos causam a pele. Deitar na cama, fechar os olhos... e a falsa sensação: está tudo bem.
......
"Fatal, cruel,
Cruel demais
Mas não faz mal
Quem ama não tem paz."
(Anoiteceu - Vinícius de Moraes)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

09 de setembro

E eu não tenho tido tempo... só tenho sentido uma dor por dentro tão grande se alastrando, mas tudo passa, e essa dor há de passar também... Alguém já esqueceu você também?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

08 de setembro

(Mariscal amanhecendo, dezembro de 2007)


Nada mais para dizer além do que isso....

"E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia

Se for eu e você
Se assim acontecer "


(Alice Ruiz)

domingo, 7 de setembro de 2008

traduz-me

Vejo a neve cair, quando abres a boca,
Tuas poucas palavras duras
São tua própria ditadura, te censuras.

E o chão fica branco da nevada de ti
E eu me jogo em tua avalanche,
Me congelo no teu frio alpino.

Eu que não acho ruim,
Eu que sempre quis ver a neve,
Eu sempre nordestino.


(Tua frialdade - Lalo Oliveira)