quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro



O que eu mais gostava nele eram as coisas que ele não me dizia, tanto pelas expectativas que elas me causavam, tanto porque assim eu poderia imaginá-las a minha maneira. E isso era também uma forma de sentir menos dor e sofrimento, assim eu poderia pensar que ele nunca teve um outro amor e que adorasse as torradinhas com tomate seco e queijo no café da manhã. Ele nunca me negou nada, mas também nunca se precipitou a me surpreender. Era um homem de reservas, sem demonstrar nos gestos grandes turbulências. Amava sempre calmo e sempre fundo. Amava sempre olhando nos olhos, e eram nesses momentos que eu captava um pouco de tanto silêncio guardado.

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