sábado, 27 de setembro de 2008

27 de setembro


Que dia agradável. O friozinho com sol de Curitiba me encanta, amo essa cidade, amo o ar daqui, gosto desse céu com nuvens dégradés, gosto desse inverno, do barulho noturno do Alphaville, e das luzes das casas e de suas arquiteturas. Porque sempre há algo que nos falta? Porque nunca conseguimos ser inteiros? Porque não podemos ser felizes por pouco mais de alguns segundos? Quando todas as coisas poderiam se completar. Porque? Porque sempre me apaixono por pessoas estão mais interessadas em ganhar dinheiro do que caminhar comigo no Barigui no sábado a tarde? Porque sempre me entrego ao oposto? A resposta dessas escolhas é estar aqui sozinha, enquanto só o que me toca e envolve é o frio. Nunca pedi dinheiro. Nunca pedi presentes caros. Nunca pedi carro, apartamento e uma vida estável. Mas não sei porque ninguém entendeu, que eu só queria um pouco de amor gratuito, de mãos, de beijos e poesias. Um pouco de companhia, um monte de risadas, brigadeiro e pipoca de panela. Nada mais do que as coisas que necessitam um pouco mais de alma e de simplicidade. Nada tão complexo, tão bancário, tão comprável. O que nos sobra de uma vida tão material são os juros de uma velhice sem muitas boas lembranças. Sem muitos parques, sem muito verde, sem muitas Curitibas ou Mariscais. Ah, como eu amo ter as coisas que não tem preço.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

26 de setembro

Confesso que hesitei em abrir o guarda-roupas, mas não agüentei por muito tempo. Abri, meti as mãos por entre os tecidos, e lá do fundo arranquei com vontade e saudade a pequena camisa dobrada. Tão bem dobrada para dentro, tão bem amontoada, pano por cima do pano, para que ela não perdesse o perfume dele. Não somente o perfume, mas principalmente o cheiro. O cheiro que a pele dele que havia se impregnado por cada linho de algodão, o cheiro que ainda parecia morno ao ser tocado, o cheiro que ainda podia ser deixado em minha pele. O cheiro de alguém que não se tem. O cheiro de alguém que nunca mais terá. E eu não sei o que fazer para que não se perca, que não desapareça. É a coisa mais viva que tenho, é a coisa que eu mais gostava de ti. Porque quando sinto esse ar, eu lembro de como seu abraço me envolvia, e eu sinto seu toque.

Distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

25 de setembro

Penso tanto no que escrever, mas nem sempre as palavras me parecem fáceis de ser encontradas. Quando Deus criou todas as coisas, devia ter dado nomes as coisas que não tinham nome. Tinha que ter dado forma as coisas invisíveis. Tinha que ter nos dado olhos que nos olhem para dentro e que depois olhassem para dentro de todas as outras pessoas. Deus devia ter feito o amor como uma peçinha que a gente encaixasse e desencaixasse do coração a hora que bem entendesse. E devia deixar o mar sempre azul, algumas verdes e sempre transparente para mergulhar. Devia também deixar a gente escolher as lembranças para lembrar, os sonhos na hora de dormir. Não devia ter roubo, porque daí eu queria abrir o teto do quarto de vez em quando e ter estrelas de verdade até que o sono chegasse. Ah, e nunca, em hipótese nenhuma, podíamos ter insônia, cólicas ou qualquer coisas que nos fizesse menos inteiros. Melhor não discutir, Ele deve saber o que fez, porque que fez e inclusive deve ter nos deixado essas desconfianças e percepções por algum motivo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

24 de setembro

Hoje o dia foi muito bom. Levei meu primeiro fora na vida. Continuo não entendo nada. O cara te enche de cantada, te liga zilhões de vezes, convida para milhares de programa (e você nunca aceita, afinal você é difícil), te enche o celular de mensagens, te manda videozinhos no youtube, não deixa parar de piscar seu MSN. E não! Ele não tava querendo nada. Ai fiquei com uma cara de babaca, meio assim sem não compreender o que se passa na cabeça desse homem. Pois bem, gooood bye querido, como diz uma música “vou te excluir do meu orkut, te bloquear no meu MSN”... rs. Bom, por um lado isso foi ótimo, porque seria apenas mais uma tentativa falha de relacionamento, não daríamos certo mais do quatro meses, estourando cinco. E minhas esperanças estão senso depositadas em um lugar mais alto e seguro. Em um lugar de onde não haverá decepção ou falha. “Poizimtaum” deixo claro que a partir de hoje, não me apaixono mais por ninguém, não me interesso mais por ninguém. Agora só quando eu tiver certeza de que valerá a pena. Ficar sozinha vai ser bom, acho que nunca estive. Agora o próximo tem que ser muito bom, me amar muito, saber que tem a Laura que virá em alguns anos (antes dos meus trinta), que vai ter que me acompanhar nos muitos eventos no fim desse ano e no próximo. São três livros que estão vindo, então compromisso em triplo. Pronto, assunto coração: resolvido.
Ontem fiz minha inscrição na UFSC, mês que vem é inscrição na PUC do RS e de SP, estou até agora pensando para que lado a vida vai me levar. Só sei que final do mês de outubro tenho que ir a Porto Alegre, ver meu amigo Alexandre Spinelli e convocá-lo a ver os apartamentos que outra amiga tem visto para mim. Se for para Floripa, lá já sei onde alugar um ap... e em Sampa, já tenho com quem dividir outro. Só Porto que me dará esse trabalhinho extra.
Não tenho tido tempo para nada, me formando em Administração de Empresas: TCC, Artigos, Papers. Escrever para as colunas, acabar a montagem de um livro, continuar a escrever no outro, preparar e dar as aulas na oficina de Literatura e Poesia na Fundação Cultural, ir na manicure, marcar a depilação, academia três vezes por semana, pedalar nos sábados, ligar para a Carol, para Anelise e para a Greice, estudo bíblico no domingo de manhã, domingo a tarde acabar de ler Ensaio sobre a cegueira. Logo isso passa. Logo tudo estará feito. Um dia minha vida estará numa calmaria imensa e acho que vou sentir falta dessa correria. Um dia estar madura e inteira, e ver ter sobrevivido a tudo isso.

contranarciso

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós



Paulo Leminski

terça-feira, 23 de setembro de 2008

23 de setembro



(Pablo Neruda in Los versos del Capitán)
[...]

Assim termina um poema de Neruda. Assim, nos oferecendo um começo de um longo pensamento. Espero te encontrar, espero partilhar contigo minha vida. Espero partilhar essas durezas, essas lutas, esses obstáculos. Espero te recompensar com belezas, com mil beijos de manhã, cinco filhos e carinho antes de deitar. Te cuidar, te ler todos os poemas, de todos os livros, quando você não querer conversar. Te cantar todas as músicas, te tirar para dançar enquanto a lua flutua. Tanto amor para dar, tanta ternura para abraçar. Que coisa linda teus olhinhos miúdos ao acordar. Quem dera, a gente se amar de manhã cedinho, ouvindo o mar quebrar, assim juntinho, dividindo o mesmo ar. Sem pressa, acompanhando o dia despertar. Ah, quem dera, nesse primeiro dia de primavera, entre as flores, entre todas os desejos que minha mente quisera. Ah, se eu pudesse estar contigo, sorrir enquanto brincas em meu umbigo, me desfazer das coisas que não preciso. Contando os dias, contando as horas, para te ver, para saber quem é você que me dará tudo isso.
"Em minha pátria há um monte. Corre na minha pátria um rio. Vem comigo. A noite sobe o monte. A fome desce o rio. Vem comigo. Quem são os que padecem? Não sei, sei que são meus: Vem comigo. Não sei, porém me chamame me dizem: "Sofremos". Vem comigo. E me dizem: "Teu povo, teu povo deserdado, entre o monte e o rio, com fome e com dores, não quer lutar sozinho, te está esperando, amigo."Oh tu, a que amo, pequena, grão vermelho de trigo, a luta será dura, a vida será dura, mas tu virás comigo."
(Pablo Neruda)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

22 de setembro - Sobre a coragem desconhecida

Tem hora que nos enchemos de uma coragem que pensávamos haver perdido ou nunca ter. Pois bem, essa imensa coragem me invadiu hoje a tarde, me sacudiu, me invadiu e eu fiz. Fiz o que deveria ter feito há muito tempo, fiz o que qualquer pouquinho de coragem já podia ter me dado ousadia de fazer. Enfrentei de rosto lavado, de mãos limpas, sem arma, sem máscara nenhuma. Fui de alma aberta ao encontro do amor.Mesmo sabendo que isso me dará uma decepção ou uma felicidade tão grande. Não importa. Como dizem, mais vale ter tentado do que me culpar a vida toda pensando em como seria se eu tivesse feito. Repito, não importa. Eu nasci para ser corajosa.

domingo, 21 de setembro de 2008

21 de setembro

“- Cáh, como você tá magra”
“- Cáh, vai para o show? Virou violãozinho?”
“- Cáh, você tá linda!”


Hoje foi “o dia” de comentários do meu físico. Estou no regime há três meses, só não tenho dado conta da academia e tenho falhado com minhas pedaladas por causa do acidente que sofri a duas semanas a trás. Ainda não estou satisfeita com o que consegui, tenho que perder no mínimo 3kg em duas semanas, e se não seguir meus exercícios acho que não vou conseguir.
Não pensem que sou ligada e maníaca por corpos sarados, malhados e perfeitos. Muito pelo contrário, penso que as pessoas tem que se sentir bem. Eu engordei por causa de um medicamento que tomei, e eu que sempre fui magra e pequena, tive que fazer um esforço extra para alcançar meu corpo novamente. A experiência não foi ruim, ao menos meu lado feminino está mais satisfeito, fiquei com mais bunda e coxas, que antes eu não tinha. Outra coisa boa foi que tive que fazer exercícios, e gostei. Agora amo dar umas pedaladas ou caminhadas na praia. Ah, aprendi a usar tênis.
Só isso, e no mais desejo que essa semana passe muito rápido. E a outra mais rápido ainda...e depois, o fim de semana, demoreeeeeee para passar.

E o poema que te falei...

"Você tem o dom
de pôr som de celo
onde havia gelo
quem dera tê-lo
você e teu dom
de transformar esse silêncio
num solo de celo
quem dera descobrir
teus zelos véu por véu
descobrir talvez um novo céu
e nele vê-lo
entre as estrelas
cobrir você
com meus cabelos
quem dera este celo
não fosse tão solo
quem dera você para sê-lo"

(Alice Ruiz)