(1) A manhã
Acordei às sete horas, botei o biquíni, arrumei a prancha no carro e fui surfar no Canto da Praia. Fazia muito tempo que não surfava, pensei que nem daria conta de nadar ou de colocar a roupa de borracha. Levei muito caldo, só quando o cansaço já estava batendo foi que comecei a ficar mais intima novamente com o mar. Reencontrei dois amigos da antiga, e combinamos de surfar na Joaquina no sábado que vem. Se bem que falta muito ainda para retomar minha identidade “surfista”. Nossa, mas como é bom! Nem sei como consegui ficar longe do mar por quase dois anos, e sem qualquer motivo aparente. Não quero mais parar, é uma coisa que gosto de fazer...
(2) A tarde
O Fernando me ligou eram onze horas da manhã:
- Feijoada com forró. Vamos?
Putz. Feijoada com forró? Não é muito meu estilo, mas arrisquei e fui. A festa era em um sítio retirado, em Balneário Camboriu. Encontrei meus amigos e começou a festa. Comi pouco, feijoada é muito pesada e meu estômago anda muito leve. De repente, me tiram para dançar, e como adoro uma folia e me divertir, fui para o meio do salão; dancei muito, quer dizer, inventei alguma coisa parecida com forró. Depois o pessoal animou e não paramos de dançar. Pensei que iam acabar os saltos das minhas sandálias e que meu vestido ia virar um pano ensopado. Mas foi tão divertido!! Minha Nossa Senhora dos Pintos no Lixo, há tempos eu não ria tanto e me divertia. Cheguei em casa quase oito da noite, fiquei uma meia hora no chuveiro, pensei que não ia ter forças para me levantar, me sequei um pouco e tombei na cama.
(3) A noite
Juro que pensei só acordar no próximo dia, mas a Carol me ligou e bêbada. “ô Cáh, vem aqui, vem aqui”, e escutando aquela voz de porre total fiquei preocupada, me vesti e fui ver o estado dela. Já me recebeu se escorando nas paredes, tinha passado pegar um lanche e fiz ela comer. Rimos mais um monte dela me contando da festa que tinha ido e tomado todas. Voltei para casa agora e decidi escrever até que o sono e cansaço batessem novamente.
(4) As percepções
Falei que encontrei dois antigos amigos do surf hoje de manhã. É incrível como as pessoas mudam! Faces, cabelos, emagrecem, engordam, tatuagens novas, têm filhos, se casam, se mudam, começam ou terminam faculdade, mudam de emprego, abrem uma empresa, começam ou param de fumar, casam, separam. A conversa fluía, mas ficávamos nos olhando discretamente tentando nos reconhecer, capturar a nova face, as novas informações. Amigos antigos são os espelhos mais sinceros que comprovam nossas mudanças. Me ver hoje me fez mais feliz: mais realizada, mais centrada, mais independente, ex-fumante, solteira e segura.

