sábado, 1 de novembro de 2008

01 de novembro

Noooooooooossaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Hoje o dia foi muito bom, pensava que não iria fazer nada, mas ao contrário, foi completamente cheio e inesperado.

(1) A manhã

Acordei às sete horas, botei o biquíni, arrumei a prancha no carro e fui surfar no Canto da Praia. Fazia muito tempo que não surfava, pensei que nem daria conta de nadar ou de colocar a roupa de borracha. Levei muito caldo, só quando o cansaço já estava batendo foi que comecei a ficar mais intima novamente com o mar. Reencontrei dois amigos da antiga, e combinamos de surfar na Joaquina no sábado que vem. Se bem que falta muito ainda para retomar minha identidade “surfista”. Nossa, mas como é bom! Nem sei como consegui ficar longe do mar por quase dois anos, e sem qualquer motivo aparente. Não quero mais parar, é uma coisa que gosto de fazer...


(2) A tarde

O Fernando me ligou eram onze horas da manhã:
- Feijoada com forró. Vamos?
Putz. Feijoada com forró? Não é muito meu estilo, mas arrisquei e fui. A festa era em um sítio retirado, em Balneário Camboriu. Encontrei meus amigos e começou a festa. Comi pouco, feijoada é muito pesada e meu estômago anda muito leve. De repente, me tiram para dançar, e como adoro uma folia e me divertir, fui para o meio do salão; dancei muito, quer dizer, inventei alguma coisa parecida com forró. Depois o pessoal animou e não paramos de dançar. Pensei que iam acabar os saltos das minhas sandálias e que meu vestido ia virar um pano ensopado. Mas foi tão divertido!! Minha Nossa Senhora dos Pintos no Lixo, há tempos eu não ria tanto e me divertia. Cheguei em casa quase oito da noite, fiquei uma meia hora no chuveiro, pensei que não ia ter forças para me levantar, me sequei um pouco e tombei na cama.

(3) A noite

Juro que pensei só acordar no próximo dia, mas a Carol me ligou e bêbada. “ô Cáh, vem aqui, vem aqui”, e escutando aquela voz de porre total fiquei preocupada, me vesti e fui ver o estado dela. Já me recebeu se escorando nas paredes, tinha passado pegar um lanche e fiz ela comer. Rimos mais um monte dela me contando da festa que tinha ido e tomado todas. Voltei para casa agora e decidi escrever até que o sono e cansaço batessem novamente.


(4) As percepções




Falei que encontrei dois antigos amigos do surf hoje de manhã. É incrível como as pessoas mudam! Faces, cabelos, emagrecem, engordam, tatuagens novas, têm filhos, se casam, se mudam, começam ou terminam faculdade, mudam de emprego, abrem uma empresa, começam ou param de fumar, casam, separam. A conversa fluía, mas ficávamos nos olhando discretamente tentando nos reconhecer, capturar a nova face, as novas informações. Amigos antigos são os espelhos mais sinceros que comprovam nossas mudanças. Me ver hoje me fez mais feliz: mais realizada, mais centrada, mais independente, ex-fumante, solteira e segura.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

31 de outubro

Ele acabou de me dizer que sonha comigo. Que lindo. Estou tão feliz que hoje não quero me estender muito, quero deitar logo e ficar todos os minutinhos antes de dormir imaginando... Não é a coisa mais bonita alguém dizer que sonha com você? Acho que vou escrever sobre isso, outra hora, hoje não... Hoje estou mais vivendo do que escrevendo.


Criei um novo blog aonde vou começar a colocar minhas crônicas de ensaio, assim cada tipo de texto tem seu espaço.

Conheçam e sejam bem-vindos: Um olhar para sentir
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E retomei meu fotolog também, vamos ver quanto tempo o mantenho.
Beijinhos e beijões
...
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E lá vem Caio (Fernando Abreu), se encaixar com as coisas minhas:
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"Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas.Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim: Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto."

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

30 de outubro

Talvez nunca mais se cruzem. Talvez ela mude de emprego, alugue um apartamento novo de frente para um pracinha com uma única árvore, comece a acordar às cinco da manhã, passe o café enquanto procura um par de meias, venda o carro, comece a pegar duas lotações para chegar no novo emprego, ache até bonito o uniforme, quem sabe canse no fim do dia, chegue atrasada no ponto de ônibus, não tenha o dinheiro para o táxi. Ele deve ter escolhido ficar em São Paulo, ou no Rio de Janeiro ou em Brasília, não importa aonde ele tenha ficado, talvez ele queira ganhar muito dinheiro, comprar um flat de frente para o mar, viajar para Dubai no próximo feriado, comprar um carro novo, pedir para alguém fazer seu café, ter uma sala só para ele no andar mais alto do prédio, sapatos de couro, meias bem alinhadas, talvez ele preferisse ternos mais claros, um cartão com limite mais alto. Eles não souberam quando começaram ou terminaram, se por algum momento a mágica do “nós” chegou a acontecer, se podia ser amor ter vontade de dividir uma pizza. Talvez ela quisesse somente uma companhia, alguém para chamar de “amor”, um par de meias novas no Natal e passear na pracinha que tem apenas uma árvore. Ele quis um apartamento maior, a estabilidade que pode ser superficialmente alcançada, um salário mais proveitoso. Nunca disseram adeus, nem até mais, nem qualquer outra coisa que desse possibilidade de um fim ou de um próximo encontro; terminavam as conversas com beijos, quando mais frios com abraços. Talvez ele a ame. Talvez ela quisesse saber disso. Por causa da mudez das emoções que sentiam, eles não sabiam que destino davam a si. O bonito deles é a coisa mais simples em suas histórias: de alguma forma silenciosa e cheia de esperança, eles esperavam um pelo outro, embora nenhum pedido tenha sido feito.
...
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"Separar-se é ter a residência invadida.
Conferir peças na sala, armário,
carteira, com pouca noção exata
do que foi embora.
Olhar desconfiado
aos objetos que viram
e nada dizem.
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Separar-se, uma porta
arrombada por dentro."

Fabrício Carpinejar - In: "Cinco Marias"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

29 de outubro

Eu ando mudada. As coisas não são mais como eram: os planos mudaram todos, a ansiedade foi se acalmando, estou vendo com outros olhos a vida e as pessoas. Talvez eu esteja me tornando mais solidária, mais humana, menos egoísta. É uma pena que demoramos muito tempo para reparar em algumas coisas, por muito tempo há uma venda de hipocrisia em nossos olhos. E depois de adultos, depois da venda retirada, começamos a ver tudo com um certo espanto e com ar de novidade. Tanto tempo perdido com besteiras, com intrigas bobas, com necessidades superficiais. Embora eu sinta tanta falta de chamar alguém de “amor”, de alguém para mandar poesias de Alice Ruiz, de alguém para desejar bom dia, de alguém com quem eu durma desejando sonhar, de alguém que me faça ter vontade de fazer planos, por esses dias só o que eu preciso é de uma boa companhia, mesmo que ela não me entendesse, mesmo que fosse a mais despreparada das pessoas, não importa, só o fato de ter alguém, qualquer que seja, que não me respondesse nada, mas que ao menos me desse um pouco do seu silêncio.

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


- Sabe a garota do copo de água?
-Sei.
- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?




(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

29 de outubro

Hoje eu queria te levar um beijo de boa noite. Um beijo delicado sobre tua testa, sem nenhuma outra intenção além de te desejar uma boa noite de sono. Nem pedir para estar em teus sonhos, nem pedir para dormir ao teu lado. Queria apenas te ver doce, te ver repousar com todas as inseguranças e perspectivas de um menino, já que a barba será feita somente antes do trabalho, já que os compromissos, por enquanto, estão apenas na agenda, já que o coração está tranqüilo e quase amando uma menina que queria beijar sua testa pelas noites que virão, já que o sono parece uma boa cama para os sonhos que ainda precisam esperar, já que agora o homem pode tirar a máscara e deixar o nu da face iluminar um punhado de estrelas que moram no teto do seu quarto, já que o tempo entre um pensamento e outro é tão rápido e tão milagroso que pode despertar o próximo dia.

Música - Vanessa da Mata
escute aqui

(...)

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música

Nossas juras de amor
Já desbotadas
Nossos beijos de outrora
Foram guardados
Nosso mais belo plano
Desperdiçado
Nossa graça e vontade
Derretem na chuva

(...)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

27 de outubro

Sempre tive medo de esquecer. Esquecer a chave do carro, a comida no fogão, o horário do avião, um amor ou outro, o celular na viagem, a roupa na chuva, o apartamento aberto, aonde estacionei, as compras no mercado, a televisão no conserto, as sacolas no porta-malas, o caminho, a banheira enchendo, que as visitas iriam chegar, o cinzeiro cheio, de retornar ligações, de anotar recados para repassar, as datas das contas do mês, o gás aberto, o dia que passa o caminhão do lixo, de responder um e-mail, os aniversários, os feriados e dias santos, nomes de filmes, nomes de pessoas, letras de músicas, um poema já decorado, o cachorro na rua, aonde eu tenho que ir, entre outras inúmeras coisas que não quero esquecer. Agora, é incrível quando você quer, por vontade própria, esquecer alguma coisa, alguma pessoa e não consegue.

Em alguns casos lembrar é pior do que esquecer, e talvez disso eu teria de ter mais medo. Porque esquecer não se conjuga, não se reparte, não te dá outra opção além do arrependimento do esquecimento. Lembrar é diferente, porque você pode apenas lembrar ou pode lembrar com saudades. E daí, meu amigo, estamos metidos em uma encrenca das brabas.


O que define se devemos lembrar ou esquecer?
Será isso sacanagem de Deus para nos punir dos outros pecados?


Vou tatuar bem grande em minha testa: “Te esquecer”, só para lembrar de ti sempre.
....
"Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto..."
Martha Medeiros

domingo, 26 de outubro de 2008

26 de outubro

Ah, eu poderia passar horas escrevendo sobre o dia de hoje, seus acontecimentos, meus pensamentos e as boas conseqüências disso tudo. Vou tentar falar tudo, prometo. Meus pensamentos ainda não pararam de borbulhar e me perdoem se no meio das palavras eu me atrapalhar e tornar tudo muito confuso. Recomendo aos que são menores de 18 anos a não continuarem a leitura que virá a seguir. Vou por partes, quero falar de coisas distintas e que precisam ser registradas hoje.

(1) O sexo


Deixei o Val hoje pela manhã no aeroporto, fiquei feliz em saber que tenho amigos que gostam de me visitar. Não eram 10 horas da manhã e fui a Itajaí levar um material para uma “produção” que estou criando (um dia falaremos sobre ela). Lembrei que há muito tempo devia um almoço para Ele (vou chamar de “Ele”, pois não pedi autorização para falar o nome dele e nem do acontecimento). A última que vez que o vi foi num encontro
Literário que aconteceu por acaso na Casa Aberta, e sim, já nos conhecemos a dois longos e “proveitosos” anos. Liguei para Ele. Me convidou para ir no apartamento dele e decidirmos aonde almoçar. Eu fui, até porque aquilo, mesmo inconscientemente, era o que eu realmente queria. Subi o elevador, arrumei o vestido curto e florido, afinal o calor nessa cidade parece de um típico verão do sul. Apertei a campainha e fui recebida com um sorriso afetuoso. Me ofereceu uma whisky, chegou perto, primeiro vieram as provocações através do riso e das palavras, depois vieram as mãos alisando as pernas, depois os beijos na nuca, depois na boca, e as mãos já haviam se perdido por entre o meio das coxas. Ele não perdeu muito tempo em querer tirar o vestido, e eu não perdi muito tempo em estar em cima dele. Dois famintos na sala de estar. Ele procurando meus seios por debaixo do vestido, eu de olhos fechados sentindo suas mãos que não sabiam se ficavam nos seios ou se se agarravam na bunda. Ficamos ali não por muito tempo, nenhum dos dois resistiu por mais de alguns minutos sem atingir o auge. Me levou para a cama, me despiu do vestido, me virou de bruços e começou a massagear minhas costas do inicio até a bunda, enquanto isso conversávamos sobre a última vez que transamos, que foi em abril ou maio desse ano e definitivamente tinha sido “uma rapidinha”, depois de um café e como consolo a minha carência com o fim do meu namoro ou um dos grandes amores que tive. Entre umas caricias e outras, transamos de novo, ainda mais famintos, mas mais calmos, deixamos durar um pouco mais a sensação de estarmos um dentro do outro, deixamos que suas mãos marcassem minha cintura e a segurassem para que não tremesse, não fugisse, que deixasse ele se afundar ainda mais para dentro. Era poético e humano, e tínhamos a mesmas percepções a medida que acontecia essa entrega. Sabíamos que não fazíamos amor, mas também não poderíamos classificar com sexo, porque envolvia algo além do que corpos e suores. Gozei algumas vezes, e por fim ele gozou. Nos jogamos lado a lado, rimos, nos olhávamos, como eram bonitos nossos rostos depois do desejo cometido. Aquele homem que antes me segurava e forçava as entranhas, agora me beijava a face suada e risonha. Há tempos não tive uma relação tão boa, tive algumas que aconteceram nas últimas semanas, mas não tão gloriosas a ponto de merecer um post. Bom, na verdade, a última transa realmente boa foi final do ano passado. E só agora, praticamente um ano depois, me senti completamente descoberta e nua. Almoçamos sim, quase as três horas da tarde, e o meu vestido parecia intacto.
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"A vida é agora, aprende. Ainda outra vez tocarão teus seios, lamberão teus pêlos, provarão teus gostos. E outra mais, outra vez ainda. Até esqueceres faces, nomes, cheiros. Serão tantos. O pó se acumula todos os dias sobre as emoções"
Dodecaedro. In: Triângulo das Águas, por Caio Fernando Abreu
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(2) A festa

Passei pegar a Ângela e fomos para o Mercado Municipal na roda de samba raiz que reunia poetas e músicos da região, além de cerveja e muitas gargalhadas, nem a chuva nos desanimou. Fotografias, muita conversa jogada fora, muita poesia. Foi muito bom, devíamos marcar mais encontros como esses.


(3) A verdade

Aos 21 anos me sinto mais madura do que muita gente com 40. Quer dizer, não é nem uma questão de sentir, mas de ter fatos comprovados disso. Eu odeio ainda criar expectativas sobre algumas pessoas, mas não há nada que eu odeie mais do que me decepcionar com elas.