domingo, 5 de outubro de 2008

05 de outubro

Quando o fim de semana foi perfeito não há nada mais que acrescentar. Perfeito. Em tudo, em cada detalhe, em cada escolha. Passar a noite ao som de Marisa Monte e ... conversando. Não acordar sozinha, não estar sozinha para tomar café da manhã. Não quero falar muito, quero ficar lembrando, lembrando... Preciso dormir, não sobrou muito tempo para isso esse fim de semana. Hm.... e já estou contando os dias para o fim de semana que vem...

ah, e o trechinho que lhe falei baixinho antes ...

"Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.
E quem diria?
ainda melhor

(...)
E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?

E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?"

(Então é você - Alice Ruiz)

sábado, 4 de outubro de 2008

04 de outubro

"...Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho..."


(Não é fácil - Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

03 de outubro - A poesia

Eu gosto de fechar os olhos. Sei que há muita coisa bonita no mundo: praias, campos, arquiteturas, primaveras, céus tão azulzinhos, as faces das pessoas, a maneira que cada sorriso se abre, que cada cabelo balança, a cor que se destaca na roupa e na pele, os tons das peles, os tons do sol se pondo, os tons que os dedos dão no piano, o violão na mão do músico, o corpo que lembra o violão, os pássaros nas flores, as flores na janela. Mas se gosto de fechar os olhos, não é porque não acredito ou não queira essa beleza toda, mas que olhando para dentro de mim, encontro coisas, formas, faces, esperanças que não vejo aqui fora, faço as coisas que aqui não sou permitida, invento coisas que não precisam maior burocracia do que soltar o pensamento, e vejo uma beleza tão grande e tão doce de ver, tão livre e inocente, que chega a ser egoísta de tão minha que se torna, e que extravasa algumas vezes, raras e dolorosas vezes, em uma poesia. Porque é difícil escrever sobre as coisas que se vê, sobre as coisas que se sente, sobre todas as coisas de um mundo particular que cada um tem para si. Poesia é coisa muito séria, muito íntima. Poesia é uma fé que a gente tem sobre a gente mesmo. É uma primavera que pode nascer e acabar a qualquer hora do dia. Fechar os olhos é muito arriscado, porque qualquer coisa que se sente pode querer borbulhar, flutuar, fugir para fora e virar palavra.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

02 de outubro

(Alexandre Spinelli)


Estava meio sem assunto para hoje. Nem sempre a inspiração nos é generosa. Ela só apareceu no fim da tarde, me presenteando com uma curta e boa conversa com meu amigo poeta Alexandre Spinelli. Acabou de chegar “das Europas”, e esteve, durante todo o período que esteve por lá, me enviando fotos e comentários por onde passava. De certa forma me senti com ele inúmeras vezes! Achei de uma delicadeza incrível, escrever sempre e compartilhar conosco tantas belezas. Spinelli tem uma alma generosa, tem poemas sensibilíssimos e além do mais vai me acompanhar muito nas minhas noitadas por Porto Alegre. Vamos beber muito chopp, fazer muito fondue, caminhar pela Cidade Baixa, tomar um mate na Beira Guaíba. Tenho certeza que encontrei uma boa companhia para estar longe de casa. Dois solteirões, dois poetas, na encantadora Porto Alegre... Em breve, novos capítulos! Rs*
Spinelli, nem pedi autorização, mas me deu vontade de falar de ti. E colocar essa foto tua que adorei! Até logo querido... Muitos pôr-do-sóis acompanhados de mate e poesia nos serão vindouros!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

01 de outubro - Sobre a nudez

Estávamos nus um frente ao outro. Não nos sentíamos tímidos ou envergonhados. Estivemos assim, despidos, desde a primeira vez. Aonde nenhuma palavra poderia ser duvidosa, nenhum gesto incerto. Nós possuímos uma verdade absoluta: não queríamos mais nada além de uma possibilidade. De uma chance que nos trouxesse a vida novamente. É bom estar nu na frente de quem se ama, nenhuma máscara finge a feição da face, nenhum pano esconde o que o outro já conhece a dedos e bocas. O corpo tenta esconder a alma, mas a alma também está nua, e dançando, na retina dos olhos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

30 de setembro

Final do mês. Dinheiro na carteira. Dinheiro no banco. Há tantas pessoas que estariam felizes pelo “glorioso” fato. E do que nos vale tamanha miséria. Eu deixo o dinheiro, são só as coisas básicas que ele me paga; comer, vestir. Saio pouco, viajo quando me sobra tempo. E se ao menos pudesse comprar um coração de um alguém, e com muita sorte um coração com amor. Com que dinheiro se compra um pouquinho de alguém? Eu não sei... Eu não sei... eu me vendo a qualquer sorriso.

Deus, dê esperança aos que não tem, como eu. Amém.
...

"Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor."

Carlos Drummond in "A Flor e a Náusea" - trecho

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

29 de Setembro - A recompensa

Nunca imaginei que escrever fosse dar em alguma coisa. Sempre escrevi pelo amor pelas escrita e também pela necessidade de por para fora as coisas que eu sentia. Fico feliz em receber tantos e-mails e mensagens de carinho no orkut. Fiquei feliz com o retorno que obtive sobre o primeiro livro. Acho que as pessoas precisam um pouco de poesia, de sentimento, sentem falta disso. Prometo não falhar com meus leitores, a vida para mim é a escrita. Impossível parar ou deixar de fazer. Só tem faltado um pouquinho de inspiração, mas tenho certeza que logo virá...
Lembro que escrevi um pequeno poema, chamado "Poema para Viagem":

"quando sentir saudades
me lê em algum poema de Ruiz
em algum detalhe de Neruda
em algo que te faz feliz;
e como poucos homens
entre raros loucos e amados
me terás como um verso
que nunca para de sorrir"

Citando os poetas que faziam parte do relacionamento que eu vivia, e como eles contribuiam para dar encantamento para aquilo que viviamos. Fiquei muito feliz, quando ontem, recebi um e-mail em forma de poema, que uma leitora fez ao seu namorado e me encaminhou. Fiquei meia surpresa ao ver que você começa a ser uma referência, que as pessoas compartilham meus poemas, se identificam dentro deles. É uma alegria enorme... Segue o e-mail:

"Falei com você pelo orkut; a respeito de algo que escrevi pra uma certa pessoa.Pensei em te enviar pois foi sua métrica; a inspiração que alcancei...Espero que a ajude entender o que sentimos quando esperamos tanto pelas suas poesias...
Um BjO e sucesso sempre.....

Quando eu não estiver mais por perto;
Sentindo saudades minhas:
Leia-me nos versos “Morandi”...
Sim. Aqueles mesmo que me apresentou
Noutro dia... De uma poetisa chamada Cáh
(Um sobrenome que me lembra morango)
E ela escreve vermelho; feito o sangue,
Que me corre nas veias... Vida!
Nas letras que ela caminha
Descobri ser por vezes minha cama
E das muitas coisas que eu senti
Ela decretou verdade concisa
Céus; parecia que eu era um livro...
Portanto; se der saudade de um beijo;
Ela conseguiu uma façanha divina!
Eternizar em um verso um beijo que não finda
Procure-me entre as letras dessa poetisa
Ela descreveu com palavras
A nossa cama, nossa vida, você em mim...
Quando eu não estiver mais aqui...

(Rachel Cortelassi)"
....

Obrigada Raquel, obrigado as leitores dos poemas de Cáh Morandi, que eles sempre se revelem de uma forma única e particular a cada um de vocês.

domingo, 28 de setembro de 2008

28 de setembro


Cheguei agora a pouco de Curitiba, estou extremamente cansada e preciso urgente dormir. A noite de sábado foi ótima, ficamos com um casal de amigos jogando canastra e tomando caipirinha até o inicio da madrugada. Fazia muito tempo que não ria tanto e ainda pude usufruir de dois amigos maravilhosos que tanto tempo não via. Acordamos cedinho, fazia um tempo nublado em Curitiba, mas resolvemos ir tomar um chimarrão no Jardim Botânico e caminhar. Adorei passar a manhã no parque, sentada na grama, tomando um chimarrão, conversando e até escrevendo poesia. Acho que as companhias que temos é que fazem que o local se torne ainda mais agradável. Foi um final de semana maravilhoso, cheio de amizade e descobertas, e que me fizeram criar expectativas de algo antes não previsto, mas que tenho que reavaliar. Embora que a oportunidade que se mostra é uma que esperei por muito tempo na vida, mas já não sei se é o que quero. Ando confusa, mas logo terei as respostas. Queria que ainda fosse hoje de manhã cedinho...

sábado, 27 de setembro de 2008

27 de setembro


Que dia agradável. O friozinho com sol de Curitiba me encanta, amo essa cidade, amo o ar daqui, gosto desse céu com nuvens dégradés, gosto desse inverno, do barulho noturno do Alphaville, e das luzes das casas e de suas arquiteturas. Porque sempre há algo que nos falta? Porque nunca conseguimos ser inteiros? Porque não podemos ser felizes por pouco mais de alguns segundos? Quando todas as coisas poderiam se completar. Porque? Porque sempre me apaixono por pessoas estão mais interessadas em ganhar dinheiro do que caminhar comigo no Barigui no sábado a tarde? Porque sempre me entrego ao oposto? A resposta dessas escolhas é estar aqui sozinha, enquanto só o que me toca e envolve é o frio. Nunca pedi dinheiro. Nunca pedi presentes caros. Nunca pedi carro, apartamento e uma vida estável. Mas não sei porque ninguém entendeu, que eu só queria um pouco de amor gratuito, de mãos, de beijos e poesias. Um pouco de companhia, um monte de risadas, brigadeiro e pipoca de panela. Nada mais do que as coisas que necessitam um pouco mais de alma e de simplicidade. Nada tão complexo, tão bancário, tão comprável. O que nos sobra de uma vida tão material são os juros de uma velhice sem muitas boas lembranças. Sem muitos parques, sem muito verde, sem muitas Curitibas ou Mariscais. Ah, como eu amo ter as coisas que não tem preço.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

26 de setembro

Confesso que hesitei em abrir o guarda-roupas, mas não agüentei por muito tempo. Abri, meti as mãos por entre os tecidos, e lá do fundo arranquei com vontade e saudade a pequena camisa dobrada. Tão bem dobrada para dentro, tão bem amontoada, pano por cima do pano, para que ela não perdesse o perfume dele. Não somente o perfume, mas principalmente o cheiro. O cheiro que a pele dele que havia se impregnado por cada linho de algodão, o cheiro que ainda parecia morno ao ser tocado, o cheiro que ainda podia ser deixado em minha pele. O cheiro de alguém que não se tem. O cheiro de alguém que nunca mais terá. E eu não sei o que fazer para que não se perca, que não desapareça. É a coisa mais viva que tenho, é a coisa que eu mais gostava de ti. Porque quando sinto esse ar, eu lembro de como seu abraço me envolvia, e eu sinto seu toque.

Distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

25 de setembro

Penso tanto no que escrever, mas nem sempre as palavras me parecem fáceis de ser encontradas. Quando Deus criou todas as coisas, devia ter dado nomes as coisas que não tinham nome. Tinha que ter dado forma as coisas invisíveis. Tinha que ter nos dado olhos que nos olhem para dentro e que depois olhassem para dentro de todas as outras pessoas. Deus devia ter feito o amor como uma peçinha que a gente encaixasse e desencaixasse do coração a hora que bem entendesse. E devia deixar o mar sempre azul, algumas verdes e sempre transparente para mergulhar. Devia também deixar a gente escolher as lembranças para lembrar, os sonhos na hora de dormir. Não devia ter roubo, porque daí eu queria abrir o teto do quarto de vez em quando e ter estrelas de verdade até que o sono chegasse. Ah, e nunca, em hipótese nenhuma, podíamos ter insônia, cólicas ou qualquer coisas que nos fizesse menos inteiros. Melhor não discutir, Ele deve saber o que fez, porque que fez e inclusive deve ter nos deixado essas desconfianças e percepções por algum motivo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

24 de setembro

Hoje o dia foi muito bom. Levei meu primeiro fora na vida. Continuo não entendo nada. O cara te enche de cantada, te liga zilhões de vezes, convida para milhares de programa (e você nunca aceita, afinal você é difícil), te enche o celular de mensagens, te manda videozinhos no youtube, não deixa parar de piscar seu MSN. E não! Ele não tava querendo nada. Ai fiquei com uma cara de babaca, meio assim sem não compreender o que se passa na cabeça desse homem. Pois bem, gooood bye querido, como diz uma música “vou te excluir do meu orkut, te bloquear no meu MSN”... rs. Bom, por um lado isso foi ótimo, porque seria apenas mais uma tentativa falha de relacionamento, não daríamos certo mais do quatro meses, estourando cinco. E minhas esperanças estão senso depositadas em um lugar mais alto e seguro. Em um lugar de onde não haverá decepção ou falha. “Poizimtaum” deixo claro que a partir de hoje, não me apaixono mais por ninguém, não me interesso mais por ninguém. Agora só quando eu tiver certeza de que valerá a pena. Ficar sozinha vai ser bom, acho que nunca estive. Agora o próximo tem que ser muito bom, me amar muito, saber que tem a Laura que virá em alguns anos (antes dos meus trinta), que vai ter que me acompanhar nos muitos eventos no fim desse ano e no próximo. São três livros que estão vindo, então compromisso em triplo. Pronto, assunto coração: resolvido.
Ontem fiz minha inscrição na UFSC, mês que vem é inscrição na PUC do RS e de SP, estou até agora pensando para que lado a vida vai me levar. Só sei que final do mês de outubro tenho que ir a Porto Alegre, ver meu amigo Alexandre Spinelli e convocá-lo a ver os apartamentos que outra amiga tem visto para mim. Se for para Floripa, lá já sei onde alugar um ap... e em Sampa, já tenho com quem dividir outro. Só Porto que me dará esse trabalhinho extra.
Não tenho tido tempo para nada, me formando em Administração de Empresas: TCC, Artigos, Papers. Escrever para as colunas, acabar a montagem de um livro, continuar a escrever no outro, preparar e dar as aulas na oficina de Literatura e Poesia na Fundação Cultural, ir na manicure, marcar a depilação, academia três vezes por semana, pedalar nos sábados, ligar para a Carol, para Anelise e para a Greice, estudo bíblico no domingo de manhã, domingo a tarde acabar de ler Ensaio sobre a cegueira. Logo isso passa. Logo tudo estará feito. Um dia minha vida estará numa calmaria imensa e acho que vou sentir falta dessa correria. Um dia estar madura e inteira, e ver ter sobrevivido a tudo isso.

contranarciso

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós



Paulo Leminski

terça-feira, 23 de setembro de 2008

23 de setembro



(Pablo Neruda in Los versos del Capitán)
[...]

Assim termina um poema de Neruda. Assim, nos oferecendo um começo de um longo pensamento. Espero te encontrar, espero partilhar contigo minha vida. Espero partilhar essas durezas, essas lutas, esses obstáculos. Espero te recompensar com belezas, com mil beijos de manhã, cinco filhos e carinho antes de deitar. Te cuidar, te ler todos os poemas, de todos os livros, quando você não querer conversar. Te cantar todas as músicas, te tirar para dançar enquanto a lua flutua. Tanto amor para dar, tanta ternura para abraçar. Que coisa linda teus olhinhos miúdos ao acordar. Quem dera, a gente se amar de manhã cedinho, ouvindo o mar quebrar, assim juntinho, dividindo o mesmo ar. Sem pressa, acompanhando o dia despertar. Ah, quem dera, nesse primeiro dia de primavera, entre as flores, entre todas os desejos que minha mente quisera. Ah, se eu pudesse estar contigo, sorrir enquanto brincas em meu umbigo, me desfazer das coisas que não preciso. Contando os dias, contando as horas, para te ver, para saber quem é você que me dará tudo isso.
"Em minha pátria há um monte. Corre na minha pátria um rio. Vem comigo. A noite sobe o monte. A fome desce o rio. Vem comigo. Quem são os que padecem? Não sei, sei que são meus: Vem comigo. Não sei, porém me chamame me dizem: "Sofremos". Vem comigo. E me dizem: "Teu povo, teu povo deserdado, entre o monte e o rio, com fome e com dores, não quer lutar sozinho, te está esperando, amigo."Oh tu, a que amo, pequena, grão vermelho de trigo, a luta será dura, a vida será dura, mas tu virás comigo."
(Pablo Neruda)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

22 de setembro - Sobre a coragem desconhecida

Tem hora que nos enchemos de uma coragem que pensávamos haver perdido ou nunca ter. Pois bem, essa imensa coragem me invadiu hoje a tarde, me sacudiu, me invadiu e eu fiz. Fiz o que deveria ter feito há muito tempo, fiz o que qualquer pouquinho de coragem já podia ter me dado ousadia de fazer. Enfrentei de rosto lavado, de mãos limpas, sem arma, sem máscara nenhuma. Fui de alma aberta ao encontro do amor.Mesmo sabendo que isso me dará uma decepção ou uma felicidade tão grande. Não importa. Como dizem, mais vale ter tentado do que me culpar a vida toda pensando em como seria se eu tivesse feito. Repito, não importa. Eu nasci para ser corajosa.

domingo, 21 de setembro de 2008

21 de setembro

“- Cáh, como você tá magra”
“- Cáh, vai para o show? Virou violãozinho?”
“- Cáh, você tá linda!”


Hoje foi “o dia” de comentários do meu físico. Estou no regime há três meses, só não tenho dado conta da academia e tenho falhado com minhas pedaladas por causa do acidente que sofri a duas semanas a trás. Ainda não estou satisfeita com o que consegui, tenho que perder no mínimo 3kg em duas semanas, e se não seguir meus exercícios acho que não vou conseguir.
Não pensem que sou ligada e maníaca por corpos sarados, malhados e perfeitos. Muito pelo contrário, penso que as pessoas tem que se sentir bem. Eu engordei por causa de um medicamento que tomei, e eu que sempre fui magra e pequena, tive que fazer um esforço extra para alcançar meu corpo novamente. A experiência não foi ruim, ao menos meu lado feminino está mais satisfeito, fiquei com mais bunda e coxas, que antes eu não tinha. Outra coisa boa foi que tive que fazer exercícios, e gostei. Agora amo dar umas pedaladas ou caminhadas na praia. Ah, aprendi a usar tênis.
Só isso, e no mais desejo que essa semana passe muito rápido. E a outra mais rápido ainda...e depois, o fim de semana, demoreeeeeee para passar.

E o poema que te falei...

"Você tem o dom
de pôr som de celo
onde havia gelo
quem dera tê-lo
você e teu dom
de transformar esse silêncio
num solo de celo
quem dera descobrir
teus zelos véu por véu
descobrir talvez um novo céu
e nele vê-lo
entre as estrelas
cobrir você
com meus cabelos
quem dera este celo
não fosse tão solo
quem dera você para sê-lo"

(Alice Ruiz)

sábado, 20 de setembro de 2008

20 de setembro



Tenho muitas coisas para falar. De ontem para hoje muitas coisas aconteceram, mas eu não quero descrever essas experiências agora, não estou com vontade de partilhá-las, embora sejam experiências de grande valia. Estou ruim, estou com cólica, estou com saudade no peito e embaraço na alma. Jogando uma vida toda fora, porque prefiro deixar de conquistar novas coisas pelo medo de perdê-las. Você tem uma coisa te remoendo a mente, e ainda não passam das onze da noite. Você tem uma madrugada longa para atravessar, sozinha. Você tem todas as coisas que não quis essa noite. Você tem essa noite, e é só isso. Você tem todas as noites que virão. E um dia você vai ter alguém para atravessá-la, juntos.

“...meus melhores beijos serão seus...
quero dançar com você, dançar com você...”

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

19 de setembro - Uma confissão


É estranho o que sinto por ti, tão estranho e tão bonito, tão estranho e tão doce. Desde que o acaso nos cruzou, assim, como as coisas mais impossíveis que acontecem, ou outros que chamariam isso de milagre. No momento não abalou nada, não estremeceu, não explodiu coisa alguma. Você foi caindo assim, como uma pena que brinca no ar, de um lado para o outro, até pousar leve e suave no lado bom de meu coração. Eu não suspeitava que aquela peninha, tão levinha e tímida pudesse fazer com o improvável acontecesse. É diferente das coisas que já vivi, é ao contrário de toda ansiedade que tenho e tive quando apenas supunha a possibilidade de encontrar alguém. Com você está tudo ao avesso, eu não estou com pressa, eu não estou roendo as unhas. Cada pouquinho que recebo de ti degusto com todo cuidado e aproveito que posso, é que você quer que eu te conheça aos detalhes. É algo impossível, qualquer um que me conhece diria, mas eu não penso em você de todas as formas, não penso em te beijar, não penso em dormir contigo, porque tudo, quando acontecer, vai ser tão perto do perfeito, e eu sei e nem desconfio de que poderia ser ao contrário. Sempre que penso em você (e tenho pensado muito), penso em você sorrindo, penso em você dando a mão para mim, penso em um caminho branco, iluminadíssimo, onde pisamos em milhares de estrelas, e que eu não sei aonde vai dar, não sei que fim que vai ter. Mas quando penso em você, penso só em coisas bonitas, em coisas que tem ar de paz, em coisas que me fazem tão leve, tão feminina, tão sensível. Eu não quero perder o que você me faz ser, o que você me faz querer ser. Eu não quero perder meus bons pensamentos e nem a chance de sonhar de novo com algo tão bom. Eu gosto de você pela beleza que você me faz ver mesmo de olhos fechados.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

18 de setembro

Ele me liga, diz que faz tanto que não nos vemos. Eu solto um sorriso do lado de cá da linha. Sei que ele gosta de ouvir meu riso, sei que ele gosta da forma que meus lábios se abrem. Muitas chances de nos topar, mas porque te encarar de frente de novo? Porque sentir novamente não saber o que fazer com os planos que fizemos juntos? Porque, se não vou encontrar o mesmo cara de antes? Eu tenho saudades de quem tu eras. Tenho saudades de quem eras quando te conheci, de quem eras quando me apaixonei. O que sobrou de ti foi só a mesma face daquele homem que me tirava o ar, que me tirava o chão, que me tirava o sono. E te olhar, assim, por fora, vai me dar saudade de alguém que já não existe mais. De alguém, que um dia foi “nós”, comigo. De alguém que perdi em alguma parte do caminho que já não reconheço. Sei que você nunca mais me viu, sei porque não deixei mais que isso acontecesse. Mas tu não sabes quantas madrugadas atravessei e ainda vou atravessar olhando as fotos que pousamos juntos. Tu não desconfias como todos os livros que tu me desses ficam me torturando ao olhar na estante. Tu não sabes como dói olhar para ti atrás da vidraça escura do carro, atrás do jornal na cafeteria, atrás dos postes nas avenidas. Tu não sabes, mas olhar dói tanto.

17 de setembro


O mais estranho é que queremos ser sempre tão felizes, tão realizados, tão bem amados. E que quando temos ou recebemos isso, jogamos fora. Assim, simples. Quando a gente percebe que era aquilo ou aquele que era tudo que queríamos, já é tarde. Tão tarde que não há nada para remediar, para trazer de volta. Aí, você passa uma tarde de quarta olhando o sol pela janela, escutando o barulho do vento nas folhas da árvore do vizinho, pensando como você conseguiu ser tão infantil e tão ansioso. Eu que preferi não ser feliz a vida toda, porque não puder esperar alguns meses. Porque eu tinha tanta fome, eu tinha uma sede dele. Mas eu não podia esperar... Esperar alguém que eu havia passado a vida esperando, e que vou passar o restante tentando esquecer. Eu sempre pensei que a felicidade era uma coisa muito grande, muito intocável. Agora sei, que a felicidade era fazer amor antes do café da manhã e fazê-lo rindo um para o outro, era a mão dele alisando meus cabelos enquanto passava o filme na TV, era os braços dele estendidos nos domingos a tarde no tapete indiano me esperando para ler, era os bons momentos aos lados de nossos amigos, era caminharmos na praia nas manhãs de dezembro antes que o verão desconfiasse. Eu sempre percebi tarde demais a real possibilidade do amor. Tudo sempre foi tão passageiro na minha vida, como eu desconfiaria que não seria assim com você também? Como eu poderia supor que só porque eu tinha um riso constante aquilo era amor? Eu no fundo quero crer que foi só uma amizade, mais um caso, mais um cara, mais um entre outros que já passaram. Mas não tenho tanta fé para isso. Não tenho tanta covardia para isso. Mas sei que o significado de felicidade para mim, pelo menos por enquanto, é uma lembrança que eu quase posso tocar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

16 de setembro

Os dias tem sido longos. Demasiadamente longos. Quando sol, a tardinha, começa invadir a sala onde trabalho, sei que está quase na hora de ir embora. Me dá um aperto, tenho tanta sede de ser livre. De que nos vale a vida se passamos a maior parte dela em uma sala de trabalho? Trancafiados, bebendo café, digitando textos, formatando planilhas. E quase ninguém na praia, na sorveteria, na sombra da árvore da pracinha. Vida injusta. Não quero falar muito. Fico indignada com sacanagens desse tipo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

15 de setembro

Escrevo no meio da madrugada para não perder a lembrança, repinto as paredes de tons claros, organizo as roupas por cor no armário, abro as cortinas do quarto de manhã, passo o café enquanto tomo banho, escolho sempre os vestidos floridos, uma barra de chocolate para cada filme, música de Tom para passar a tarde, manga e morango no café cedinho. Dou um jeito em quase tudo no mundo que agora é só meu, é que me dá alguma coisa: um sufoco, um aperto. Nem sempre reparo porque eu faço tudo isso. Acho que. Penso que. Sem dúvida que.Eu tenho tanto, tanto medo de esquecer você.

domingo, 14 de setembro de 2008

14 de setembro - Meu ex: o cigarro.

Já faz cinco meses que abandonei o cigarro. Acho que ele está mais conformado. Apesar de insistir freqüentando os mesmo restaurantes, bares, postos de conveniências... Mas aos poucos sua presença foi se tornando indiferente. Difícil, claro. Tenho tentado procurar um vício menos maléfico: alguns amigos me indicaram sexo, mas porra, ficar trepando de uma em uma hora e em lugares públicos não me pareceu adequado. Outros amigos me indicaram esportes, mas em meu caso, a academia com muito sacríficio é o máximo que consigo. Comida nem pensar. Então tenho tomado café, excessivamente. Às vezes um chá. Não sei como isso tem dado certo, pois antes o café era companhia do cigarro em minhas tardes de ócio produtivo. Meus dentes estão mais amarelos do que quando eu fumava, não tenho tossido a não ser em caso de gripe. Então abandoná-lo, o cigarro, me parece ter ainda mais pontos positivos. Apesar de que sofro em algumas horas em que o “maldito” se fazia necessário: depois de transar, no stress do trabalho, no intervalo da faculdade, depois do almoço. Puta merda, vez em quando fico indignada com Deus, inúmeras pessoas tem bons vícios: caminhar na praia, não comer carne vermelha, malhar, mania de organização e limpeza. E porque eu, que sempre tive uma vida cheia de boas opções, fui justamente me interessar em fumar? Estranho. Alguns especialistas dizem que a tal da nicotina que vicia. Não acredite, meu caro, isso é uma droga de mentira. A gente que fuma (fumava, aliás) tem uma necessidade estranha, que não sei por ser falha de Deus ou sacanagem do diabo, de querer ter algo ou alguma coisa nas mãos.

sábado, 13 de setembro de 2008

13 de setembro

Pensei seriamente sobre não chorar hoje. E assim fiz. Acho que tenho perdido tempo demais me passando por coitadinha aqui nesse quarto que nada me consola. Tem tanta coisa para se fazer, ver, ter. Tem tantas pessoas para querer, ver, ter. O que me levou a um cálculo matemático muito preciso: mais possibilidades de ser feliz do que pensar em como se pode ser mais triste. E um sorriso, tímido, me dá uma boa noite.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

12 de setembro

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder, embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça, deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo, porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada, tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce.



Cáh Morandi

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro



O que eu mais gostava nele eram as coisas que ele não me dizia, tanto pelas expectativas que elas me causavam, tanto porque assim eu poderia imaginá-las a minha maneira. E isso era também uma forma de sentir menos dor e sofrimento, assim eu poderia pensar que ele nunca teve um outro amor e que adorasse as torradinhas com tomate seco e queijo no café da manhã. Ele nunca me negou nada, mas também nunca se precipitou a me surpreender. Era um homem de reservas, sem demonstrar nos gestos grandes turbulências. Amava sempre calmo e sempre fundo. Amava sempre olhando nos olhos, e eram nesses momentos que eu captava um pouco de tanto silêncio guardado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

10 de setembro

Eram quatro da tarde quando entrei no carro para ir na casa do seu Arlindo. Seu Arlindo é um senhor de 80 e poucos anos, meu leitor, muito querido e gaúcho, hoje combinamos de tomar um chimarrão e nos alegrarmos com nossas conversas. Uma das coisas que gostei de aprender foi ouvir. Particularmente, escutar seu Arlindo me enriquece. Ele ri, tão meigo. Saí de lá quase seis horas, aproveitei para ir cortar os cabelos, fazer a sombrancelha e depilação. As unhas ficaram para sexta, ainda aguentam mais um dia. Voltar para casa, dirigindo de cabeça erguida e faróis baixos, longa beira mar... não dava de ver a água, mas ouvir o quebrar das ondas era um presente. Um bom banho, deixar a pele úmida e de leve espalhar o oléo de amendôas, por cada dobrinha da pele, por cada declive que os ossos nos causam a pele. Deitar na cama, fechar os olhos... e a falsa sensação: está tudo bem.
......
"Fatal, cruel,
Cruel demais
Mas não faz mal
Quem ama não tem paz."
(Anoiteceu - Vinícius de Moraes)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

09 de setembro

E eu não tenho tido tempo... só tenho sentido uma dor por dentro tão grande se alastrando, mas tudo passa, e essa dor há de passar também... Alguém já esqueceu você também?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

08 de setembro

(Mariscal amanhecendo, dezembro de 2007)


Nada mais para dizer além do que isso....

"E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia

Se for eu e você
Se assim acontecer "


(Alice Ruiz)

domingo, 7 de setembro de 2008

traduz-me

Vejo a neve cair, quando abres a boca,
Tuas poucas palavras duras
São tua própria ditadura, te censuras.

E o chão fica branco da nevada de ti
E eu me jogo em tua avalanche,
Me congelo no teu frio alpino.

Eu que não acho ruim,
Eu que sempre quis ver a neve,
Eu sempre nordestino.


(Tua frialdade - Lalo Oliveira)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

04 de setembro


Especificações e filofosofia barata sobre o dia anterior:

"- Você nunca perdeu nada de mim, o que eu te dei e dou, nunca, ninguém, jamais irá ter."


Sim. Nunca ninguém terá as mesmas coisas que te dei. Podem receber gestos parecidos, sorrisos quase iguais. Mas nada do que eu faça, que eu dê, será com a mesma intensidade, talvez menos, talvez até mais. Nada tão bonito quando o sol ia nascendo... Nada tão quente como os abraços debaixo do cobertor. As coisas que você me fazia sentir me faziam espontanêa na hora de agradar. Você fazia de mim algo que nunca voltei a ser: feliz. E me deu algo que ninguém pode me tirar: saudade. Eu nunca duvidei, você é um milagre.


...................


"Boas e bobas são as coisas
que penso quando penso em você."

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ainda sobre 3 de setembro

Ele estava apavorado, me ligou desesperadamente durante a tarde. Não atendi não por não querer, mas porque estava envolvida em algo que não me permita atender o celular naquele horário. Assim que pude, isso quase seis da tarde, retornei a ligação. Do outro lado um suspiro, meio que como um sinal de alívio e "até que enfim".
- Eu não posso perder você.
E um silêncio ficou no ar, porque era isso que ele tinha para me dizer e não acrescentado de mais nada, e eu também fiquei meio que surpresa ao ouvir algo que esperei tanto ele me dizer:
- Você nunca perdeu nada de mim, o que eu te dei e dou, nunca, ninguém, jamais irá ter.
E calamos, o silêncio era tudo que precisávamos ouvir.


Ainda de te espero,
embora tudo diga que não.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

um breve pensamento...

Acabei de descobrir um dos meus escritores preferidos!
Erotismo puro. Sem receios. Adorei a forma sincera do pensamento masculino que o escritor traduz:

"Eu digo à mulher
que seu rosto é
uma grande experiência
para mim e que
suas mãos são minha
alma - Qualquer coisa
para ela abaixar a
calcinha."

Charles Bukowski

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

01 de setembro

Está tudo bem. Completamente dolorida. Uma perna totalmente roxa. Mas quem nunca sofreu um acidente, não é mesmo? Fiquei assustada ao me ver sem reação atrás do volante, mas não fiquei com medo, mesmo sabendo que poderia ser muito pior e trágico. Ok. Não quero mais falar disso, preciso voltar a dormir, meu corpo não está bem, nem minha mente. O bom é que de tudo se aprende algo, dessa vez a lição foi:

- nenhuma dor carnal consegue ser maior do que uma dor de alma ou de coração.

Então, como eu poderia reclamar de alguma coisa? Fichinha, amanhã já acordo melhor, em dois dias estou 100%.
Pretendo não morrer tão cedo, aos que se preocupam, não se preocupem.


Agora, muito cansaço e dor. Preciso tentar dormir.
......

" pára de olhar a vida
com esse jeito assombrado
o que é que andas vendo
que o pessoal não vê ?"

Hilda Hilst, Tu não te moves de ti...pg 35

.....

dois beijos.

domingo, 31 de agosto de 2008

31 de agosto

(1)
... Enfim, sobrevivi a agosto. Agora mais forças para setembro... mais força para que o tempo passe rápido e eu não desista.
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(2)
Gostei da forma que me olhou hoje, foi sincera. Gostei das palavras que me disse. Gostei da forma que o seu sorriso abriu enquanto eu falava compulsivamente. Não acredite em nada do que eu te disse, acredite na firmeza do meu olhar, na dureza dos meus gestos. Eu não sou feliz a tanto tempo. E me pergunto: o que eu tenho feito para conseguir ser tão triste?? Nenhuma resposta. Mas algo é certo: eu nunca fiz algo tão bem.
.
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"De tão azul, o céu parecerá pintado. E nós embarcaremos logo rumo à ilhas Cíclades.Houvesse cortinas no quarto, elas tremulariam com a brisa entrando pelas janelas abertas, de manhã bem cedo. Acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. Parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. Respirei fundo. O ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. Setembro estava chegando enfim."

(Quando setembro vier - Caio Fernando Abreu)