Confesso que hesitei em abrir o guarda-roupas, mas não agüentei por muito tempo. Abri, meti as mãos por entre os tecidos, e lá do fundo arranquei com vontade e saudade a pequena camisa dobrada. Tão bem dobrada para dentro, tão bem amontoada, pano por cima do pano, para que ela não perdesse o perfume dele. Não somente o perfume, mas principalmente o cheiro. O cheiro que a pele dele que havia se impregnado por cada linho de algodão, o cheiro que ainda parecia morno ao ser tocado, o cheiro que ainda podia ser deixado em minha pele. O cheiro de alguém que não se tem. O cheiro de alguém que nunca mais terá. E eu não sei o que fazer para que não se perca, que não desapareça. É a coisa mais viva que tenho, é a coisa que eu mais gostava de ti. Porque quando sinto esse ar, eu lembro de como seu abraço me envolvia, e eu sinto seu toque.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
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