quarta-feira, 17 de setembro de 2008

17 de setembro


O mais estranho é que queremos ser sempre tão felizes, tão realizados, tão bem amados. E que quando temos ou recebemos isso, jogamos fora. Assim, simples. Quando a gente percebe que era aquilo ou aquele que era tudo que queríamos, já é tarde. Tão tarde que não há nada para remediar, para trazer de volta. Aí, você passa uma tarde de quarta olhando o sol pela janela, escutando o barulho do vento nas folhas da árvore do vizinho, pensando como você conseguiu ser tão infantil e tão ansioso. Eu que preferi não ser feliz a vida toda, porque não puder esperar alguns meses. Porque eu tinha tanta fome, eu tinha uma sede dele. Mas eu não podia esperar... Esperar alguém que eu havia passado a vida esperando, e que vou passar o restante tentando esquecer. Eu sempre pensei que a felicidade era uma coisa muito grande, muito intocável. Agora sei, que a felicidade era fazer amor antes do café da manhã e fazê-lo rindo um para o outro, era a mão dele alisando meus cabelos enquanto passava o filme na TV, era os braços dele estendidos nos domingos a tarde no tapete indiano me esperando para ler, era os bons momentos aos lados de nossos amigos, era caminharmos na praia nas manhãs de dezembro antes que o verão desconfiasse. Eu sempre percebi tarde demais a real possibilidade do amor. Tudo sempre foi tão passageiro na minha vida, como eu desconfiaria que não seria assim com você também? Como eu poderia supor que só porque eu tinha um riso constante aquilo era amor? Eu no fundo quero crer que foi só uma amizade, mais um caso, mais um cara, mais um entre outros que já passaram. Mas não tenho tanta fé para isso. Não tenho tanta covardia para isso. Mas sei que o significado de felicidade para mim, pelo menos por enquanto, é uma lembrança que eu quase posso tocar.

Um comentário:

Thaysa Cordeiro disse...

Cáh, sou amante incondicional da tua sinceridade. beijos
Muita luz..