quarta-feira, 17 de setembro de 2008

18 de setembro

Ele me liga, diz que faz tanto que não nos vemos. Eu solto um sorriso do lado de cá da linha. Sei que ele gosta de ouvir meu riso, sei que ele gosta da forma que meus lábios se abrem. Muitas chances de nos topar, mas porque te encarar de frente de novo? Porque sentir novamente não saber o que fazer com os planos que fizemos juntos? Porque, se não vou encontrar o mesmo cara de antes? Eu tenho saudades de quem tu eras. Tenho saudades de quem eras quando te conheci, de quem eras quando me apaixonei. O que sobrou de ti foi só a mesma face daquele homem que me tirava o ar, que me tirava o chão, que me tirava o sono. E te olhar, assim, por fora, vai me dar saudade de alguém que já não existe mais. De alguém, que um dia foi “nós”, comigo. De alguém que perdi em alguma parte do caminho que já não reconheço. Sei que você nunca mais me viu, sei porque não deixei mais que isso acontecesse. Mas tu não sabes quantas madrugadas atravessei e ainda vou atravessar olhando as fotos que pousamos juntos. Tu não desconfias como todos os livros que tu me desses ficam me torturando ao olhar na estante. Tu não sabes como dói olhar para ti atrás da vidraça escura do carro, atrás do jornal na cafeteria, atrás dos postes nas avenidas. Tu não sabes, mas olhar dói tanto.

Um comentário:

Ego. disse...

...
Estou por aqui quietinha, lendo e admirando!!!
Me identifico muito com seus textos!

Parabéns!