sábado, 25 de outubro de 2008

25 de outubro




Peguei o Val sexta-feira de meio dia, desde então não paramos de passear. Acho que ele não agüenta mais ver mar, já o levei em todas as praias da região. Já que ele disse que em São Paulo não tem camarão, estou fazendo ele comer camarão de tudo quanto é maneira. Ontem comemos pizza de camarão, hoje almoçamos risoto de camarão com queijos. Estou exausta! Caminhamos na praia no início da tarde e depois fizemos um verdadeiro “rally” para chegarmos em algumas praias desertas e num mirante. Definitivamente, sou boa no volante... hahaha! Do jeito que subi e desci morro de pedra e areia, enfrento qualquer estrada. Estou com os braços acabados! Mas a companhia valeu a pena. É bom ter amigos como o Val, agora ele foi para a ocktober encontrar alguns amigos e eu fiquei devorando um livro de investimentos. Sim, investimentos. Alguns dias para terminar a faculdade e o que não falta é trabalho. No mais, está tudo na mesma. E eu sinto uma saudade d-a-n-a-d-a.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

24 de outubro

Primeira e última hora do dia e super rápido na frente do computador. Ainda não parei e o dia está longe de terminar. Correria.

Sorry, kisses.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

23 de outubro

(1)
Está chovendo muito, um friozinho leve, uma noite tão gostosa acontece. Eu sinto tanta falta de ter alguém.
......
(2)
Acordei cedinho, fui caminhar no calçadão, e apesar do tempo nublado o mar estava bonito de se ver. Tinha mais gente do que o normal caminhando hoje pela manhã também. Cheguei em casa tomei um banho, coloquei um vestido, quase bati o carro, mas cheguei a tempo da depilação. Chegando lá: cadê a minha depiladora? Estava caída de gripe e não vinha há três dias. Mas daí veio a parte mais chata, era um homem que estava fazendo a depilação nesses dias de ausência da Claudinha. Bom, e entre depilar com um homem (estranho) e não me depilar, entrei e tirei logo a roupa. Tadinho, ele também deve se sentir um pouco envergonhado, mas trabalho é trabalho. Mas a situação foi um pouco chata, apesar de que eu não sou muito metida a não me toques e frescurinhas, e o cara estava ali para trabalhar. Vou almoçar com a Adriana, e depois volto para a manicure e hidratação. Amanhã tenho que pegar meu amigo Val no aeroporto, aproveitou que vinha para ockoter fest e virá me dar um “xero”. Então tenho que ficar “bonitinha”, já que amanhã também vai rolar uma baladinha com os meninos.

Depois eu volto.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

22 de outubro

Não saber das tuas coisas me deixa um pouco mais triste. Não tenho mais tua euforia de quando chegavas com as novidades; embora que sempre colocavas “a carroça na frente dos bois” e fazia as coisas serem mais grandiosas do que talvez realmente fossem. Tu eras esperançoso. O homem mais esperançoso que conheci, e essa excessa esperança fizeram de ti um tanto precipitado. Mas não menor, mas não menos confiante. Embora que teus planos fossem diferentes dos meus, queria poder ainda ouvi-los, e ter pelo menos a possibilidade de imaginar que eu estivesse dentro de alguns deles. Porque eu sou a pessoa mais imaginária que você poderia conhecer. E a mais carente também. Não de caricias, não de qualquer outra coisa física. Eu sou carente de escutar. Principalmente as coisas que são tuas e que um dia foram nossas. Escutar teus passos vindo para o quarto na noite escura, escutar teu coração bater nas minhas costas, escutar teu ronronar enquanto dorme, escutar o som que meu corpo só faz com o teu, escutar tu fazendo o café da manhã, escutar o barulho do chuveiro enquanto tomavas banho, escutar você digitando enquanto eu assistia filme no sofá, escutar você pedindo pizza, dizendo o quanto eu era chata, dizendo o quanto você me amava. Minha carência vem de qualquer coisa que soa vir de ti. E eu não digo, e eu não peço. Eu que ainda te amo.
.
.
....
.
.
"Um inferno tem mais
realidade que o paraíso.
Voltar atrás é impossível
a quem se prende
na fugacidade das tarefas.
Ir adiante é impossível,
sem a comoção que conturbe
e desagrade a continuidade das horas.
..
Por que a culpa do que não foi vivido
é maior do que a culpa do que aconteceu?
..
O que é imortal não tem passado."
.
.
(Fabricio Carpinejar, in: Como no Céu. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2005. p. 16.)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

21 de outubro


Eu me apaixonei por um menino com um livro. Um menino que lia uma crônica ou poesia, eu já nem sabia, porque não me importava o significado das palavras, e sim a voz que me invadia. Ah, se você imaginasse o quanto eu queria estar bem perto, tão perto a ponto de sentir o sabor das palavras que saiam de tua boca. Eu queria estar na tua boca, por dentro da tua roupa, queria ser a poesia que você lia, queria ser o corpo que iria te abraçar depois quando nenhuma luz restasse. Queria ser o silêncio, o gemido, o sussurro depois que as letras deixassem de ter sentido. Queria que você me suasse até escorrer as gotas pelas voltas do umbigo, até as mãos ficarem marcadas na minha cintura. Como eu queria que você tivesse um pouco da loucura para que me cometesse, para que tomasse a madrugada toda até o fim da manhã de um outro dia qualquer que fosse. Quem sabe a vida toda, não... a vontade que tenho até para a eternidade é pouca. Ele é só um menino de 30 e poucos, com um livro, lendo uma crônica qualquer. Um menino que lia poesia, enquanto eu o desejava, enquanto eu esperava que ele lesse meus sinais.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

21 de outubro

o dia foi tão bom, tão proveitoso, que não sobrou tempo...



um beijo, agora preciso sonhar de olhos fechados, porque de olhos abertos já sonhei o dia todo.

domingo, 19 de outubro de 2008

19 de outubro


É ruim sentir falta, não é mesmo? Sentir falta de alguém que a gente não voltará a ter. Falta de alguém que a gente nem teve ainda. Falta de uma comida que a gente goste muito, mas que só tem num bristô na rua Brighton Beach, no Brooklyn, em New York. Falta da neve que caia no dia 07 de dezembro, de um ano que parecia não nos importar. Falta de um sol de 09 de dezembro, em pleno calor de quase verão brasileiro e se fazia planos de estarmos juntos com aquele alguém a vida inteira. Falta de esperar o shopping abrir, para andarmos voltas sem que eu gostasse ou levasse coisa alguma. Falta da expressão que o outro fazia, não de irritação, mas de saber que tinha me escolhido justamente por ser assim.
Os planos é que acabam com tudo, porque estão incluídos com todas as coisas que perdemos quando um amor se vai. Assim a dor se torna maior, a perda se torna maior, as noites teimam em ser mais longas. Devíamos viver sem perspectivas para o futuro, sem imaginar demais, sem planejar demais e assim, quem sabe, viveríamos com mais intensidade os momentos que nos são permitidos. E as lembranças, no fim, ficariam mais vibrantes, mais detalhadas. Sinto falta também justamente disso: de não conseguir arquivar as memórias com todos os detalhes. Memória devia guardar não somente “male mal” a imagem, mas também o odor, o gosto, o tato, o vento, o peso. Lembrança devia ser coisa mais viva, mais real. E se fosse, eu juro, que eu me tornaria uma cega por opção. Eu ia deitar em uma rede, de frente para o mar inteiro, fechar meus olhos e viver dali pra frente só das coisas que vivi, de todas as lembranças que todo dia lembro para nem pensar em esquecer.

"again my heart sits upon a wall. Now from here where do I go? I can't decide, I do not know..." (Lawrence H Pfaff)

Um beijo, como os que ainda guardo, como os que ainda espero.

sábado, 18 de outubro de 2008

18 de outubro

Nunca sabemos o caminho antes de começar a andar. E era isso que eu não entendia, do futuro que não vinha, das expectativas que falhavam, do que eu esperava e não se cumpria. Só entendi muito tempo depois, que estava ainda parada, sentada num banco de mesmice, de comodismo. Agora tudo tem aparecido, o meu caminho é bonito, o meu caminho é de esperança, de arco-íris, com gosto de fruta recém colhida. Engana-se quem não acredita que a vida que se tem, é a vida que se escolhe. Mas tudo exige movimento, envolvimento e confiança. E o amor é a recompensa de quem nunca se cansa.


Tem coisas mais importantes que descanso.

Tem coisas mais afortunadas que o trabalho.

Mas tem coisas que não dependem dos olhos, e sim da vontade de ver.

...

"Do corpo de meu amor
exala um cheiro bem forte.
Será a primavera nascendo?"

Cacaso, in: estações.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

17 de outubro

O problema é que depois do beijo roubado a gente não sabe quais palavras virão. Embora dias antes tenhamos decorado tudo o que dizer, como reagir, como não esquecer de guardar cada detalhe.

Mas o beijo acontece, tudo desaparece, e a gente só quer o próximo beijo, o próximo beijo, o próximo beijo...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

16 de outubro

Algumas situações me incomodam, não pelo fato delas existirem, mas sim por mim não ter controle sobre elas. Estive ignorando o fato nos últimos dias, mas é que se tornou impossível continuar a me fazer tonta ou inocente. O cara é um gato, inteligentíssimo, sensível, tem um relacionamento que está terminando (segundo ele), mas tudo bem, porque eu não vi em nenhum momento alguma outra expectativa que não fosse amizade e troca de informações sobre nosso trabalho. Mas porque será que ele está se topando comigo por “acaso” nos barzinhos de MPB e sarais que tenho ido? Porque será que arranja qualquer coisa para me chamar no msn? E as ligações, de boa noite, de bom dia... e hoje na hora do almoço para não dizer nada... qualquer desculpa boba para me falar... E eu não sei dizer não, porque ele é o tipo exato de companhia, de conversa, e poxa, me deixa com tesão só de olhar, só de estar perto, só entre uma palavra e outra quando dividimos um café. E agora seu moço, o que a gente faz? Porque a gente se deixa permitir o desejo um pelo outro?

.....


"Ver você, ter você
E querer mais de nós dois não tem nada demais
E pensar
Você aparecer
Pela janela tão bonito de manhã
Vem pra mim e não vai mais
Me abraça, me abraça, me abraça
Por tudo que for..."


(Por tudo que for - Lobão)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

15 de outubro


Bom, hoje não estou com tempo para escrever. Aproveitei esses minutos para não deixar o dia passar em branco aqui no blog. A vida tem sido muito generosa comigo, e devo ser grata a Deus por isso. Hoje reconheci valores que só agora me toquei de como havia perdido e deixado para trás: a família. Por isso não tenho tempo aqui, porque estamos reunidos: meus pais, meus avós e meus tios. Sim, milagrosamente em um quarta-feira a noite. E não há outra palavra que não seja milagre. E não há outra forma de agradecer senã orar a Deus e dizer obrigado, porque meus maiores tesouros estão ali, na varanda da minha casa, sorrindo e conversando.


Vou lá, eles me esperam!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

14 de outubro

Tenho aprendido muita coisa nesses dias e tudo por experiência própria. Ando muito filosófica, estranhamente meus pensamentos andam muito profundos. Às vezes, quando se dirige por horas seguidas, sozinha, você chega a conclusões de coisas que só com o coração já tranqüilo e com a mente confiante são capazes de nos dar. Nas vezes que terminava um relacionamento, sempre passava os dias seguintes em uma amargura, em uma dor. É claro que nunca é fácil abandonarmos ao ar os sonhos e planos que sonhamos com outra pessoa, mas há alternativas para que a inevitável “dor” inflame menos. O começo dela é a maturidade, pois quando comecei a ver que minha vida não dependia somente de um homem que supunha “amar”, que eu tinha meus livros, meu trabalho, minha formação, minha profissão, minhas viagens e principalmente tinha o conteúdo e a beleza (porque a beleza é dada a todos) para encontrar um outro alguém tão ou melhor do que o que acabou, vi que estava tudo bem. Foi a primeira vez que não chorei, que não esperneei, que não passei pensando em ligar ou não ligar. Eu não liguei, eu não mandei e-mail, eu não falei com o melhor amigo, eu apenas segui em frente. Primeiro, porque nenhum amor dever ser mendigado. Segundo, porque todo amor deve ser recíproco. Terceiro, essa pessoa tem que fazer você tremer toda vez que chega perto e se um dia o tremor passar, o amor está passando também. Prometo, da próxima vez, amar alguém mais parecido comigo, quando a adolescência, a imaturidade e o comodismo passam, você não quer mais alguém para ir para cama, alguém para sair na sexta a noite ou só para apresentar aos amigos e a família. Chega uma época, como é a minha agora, que você quer alguém para ser seu companheiro, para ir nos lançamentos do livro e de se orgulhar por estar com você, que faça planos, que queira ter uma menina linda de cabelinhos cacheadinhos que talvez se chame Laura ou Alice ou Mariana, ou que queira sete filhos, ou que ache melhor esperar... Mas isso já não é coisa que importa, porque você, agora, só quer alguém que esteja disposto a estar do seu lado pelo único fato de quem você é para ele e não para os outros. De alguém que te ame não porque você escreva poemas ou seja atendente da padaria, mas porque você é a coisa que ele tenha mais desejo de abraçar. Eu sinto falta desse alguém que ainda não conheci e nem sei quando vou conhecer. Que descubra quem eu sou, antes do que eu faça ou do que eu tenha.



"Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar."


Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Princípe.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

13 de outubro


Meu dia foi tão ruim, que não vale a pena compartilhar. Mas vou dormir, e tenho certeza que amanhã será um dia maravilhoso... Espero!
.......
"Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as percentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."

Charles Bukowski

domingo, 12 de outubro de 2008

12 de outubro

O dia foi bom. Mas deixo outra pessoa falar por mim:

"O que eu queria mesmo era um ombro amigo onde pudesse encostar a cabeça,uma passando na minha testa, uma outra mão perdida dentro da minha. O queeu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chá de laranjeira e me contasse uma história. Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade,alguém que cuidasse dele"

(Limite Branco - Caio Fernando Abreu)

sábado, 11 de outubro de 2008

11 de outubro

Quando comecei a escrever não imaginava tudo isso que está acontecendo agora. Esse sucesso repentino, de receber convites para isso, para aquilo, para fazer abertura de eventos, escrever para tal editorial. Nós três últimos meses minha vida virou de pernas para o ar: eu não paro! Escrevendo duas colunas para dois jornais distintos, dando aula nas oficinas de poesia e literatura, concluindo a abertura do livro do meu grande amigo Luiz, ontem convidada pelo Rafaelo para escrever para a revista literária “CLAP”. Mas a maior satisfação não são os trabalhos que surgiram pelo fato de escrever, muito menos a questão financeira, mas sim, o retorno que recebo dos meus leitores. Quando comparam minhas escrita inúmeras vezes com Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Lya Luft, será que é possível imaginar minha cara de espanto e de felicidade? Hoje, o motivo de escrever sobre isso, foi quando ontem Virginia me disse que estava lendo uns texto/poemas na internet e pensou estar lendo Drumonnd e no final viu meu nome como autora, e hoje quando Luiz me comparou com Tagore. Imagine o impacto. Para mim, que só escrevia para mim, para por para fora. Quando poderia imaginar ter leitores, ter fãs, receber presentes tão carinhosos de pessoas que me lêem? Quero agradecer a todos que têm levado os meus poemas para os amigos, para os sarais. Outro dia recebi um e-mail pedindo para usar meu poema em um trabalho de conclusão da faculdade de Literatura, sobre a nova geração literária. Não é para ficar orgulhosa? Eu que não sei nada, eu que só coloco para fora os sentimentos que me vibram lá dentro... Mas agradeço a Deus por ele ter me guiado, por ter aperfeiçoado o dom que me deu... Ano que vem muitas surpresas para meus leitores... e estarei, sempre que possível, dando um abraço real e carinhoso quando puder encontrá-los por ai. Agradeço a vocês que são o motivo da Cáh Morandi seguir o caminho que está seguindo...

um beijo, e Tagore:

"Então as tuas palavras voarão

Em canções de cada ninho dos meus pássaros,

E as tuas melodias brotarão

Em flores por todos os recantos da minha floresta."


(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

10 de outubro

Como podemos nos tornar tão estranhos? Como podemos colocar entre nós essa distancia incalculável? Nós que dormíamos tão abraçados, nós que andávamos por ai de mãos dadas, que não nos poupávamos com caricias, que tínhamos tantos planos, que imaginamos juntos um futuro inteiro, até ficar velhinhos. Lembra? Eu quase havia esquecido. Mas te encontrar hoje, e não ter assunto, e não saber agir me deixou pensando sobre tudo. Como pode acabar o amor que juramos ser o maior do mundo?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

09 de outubro - Eu sou um perigo



O que faz com que as pessoas vêem em mim a delicadeza? Será esse meu rosto claríssimo em contraste com o negro dos cabelos cacheados? A boca desenhada em “forma de coração” pintada como uma tela de um vermelho ardente? Os olhos pequenos, levemente puxados, abraçados pelos longos cílios? As mãos pequenas cuidadas porque quem tem um jardim de palavras? E como pode ser que seja isso que eu transpareça? E essa coisa tão selvagem no meu jeito de olhar ? E esse fogo, coisa que são só dos dragões, que me arde a garganta? E essas garras afiadas, cuidadas, como se não pudessem arranhar, cravar, fazer doer? E essa fera que me revira por dentro, que parece que sangra, que ronda, que me morde, que acorda quando quero dormir? Como pode ninguém ver esse perigo que sou, esse bicho feminino que anda por aí a solta, revolta, em vez de pêlo, encoberta de pele e malha fina.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

08 de outubro

(Chefe! Olha bem o meu setor!!)


Ainda não parei. Estou terminando de redigitar o texto da matéria principal do jornal de sexta-feira. Bom quem sabe isso me deixa rica um dia. Estou exausta, cansada, precisando de um cafuné, de um carinho, de um abraço apertadinho para dormir. Preciso urgentemente me apaixonar, assim a vida parece ficar mais leve... Meninos, por favor enviem currículo para meu e-mail. Requisitos: inteligente, divertido e que tenha braços bem fofinhos e compridos para me abraçar. Não precisa ser bonito, rico, ter carro ou casa própria. Ah, e tem que saber que todo dia de manhã tem que me acordar com 8 mil beijinhos na nuca e mais 4 mil nas costas. E só mais uma coisinha:



"É preciso que me tomes,
além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei. "



Lya Luft.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

07 de outubro

Mas eu vou me agarrar a isso, a esse sorriso tímido e sem jeito, a esse olhar que por pouco não se cruzou. Vou me prender a possibilidade de começar de novo, embora eu tenha medo de sofrer mais tarde, mas é um risco que se corre pela chance de alguns segundos de felicidade. De manhã, ainda de camisola, abri a porta da varanda do meu quarto, pensei em ti, pensei no que fazer do futuro, pensei no que o passado me ensinou. No fundo a gente vê que as pessoas levam a vida como se tivessem todo tempo do mundo, algumas sem paciência para esperar, outras que deixam tudo para depois e quando percebem já é tarde demais. E é por isso que quero viver o agora. O agora é estar aqui, sentada nessa mesa de escritório, escrevendo para o blog, pensando bem mais do que essas palavras digitadas: no quanto podemos ser felizes, no quanto minha barriga dói das gargalhadas do fim de semana, no quanto ainda relembro de cada detalhe, em quanto é bom pensar que posso estar me apaixonando de novo.

.............

Descobri meu próximo destino, né Spinelli?
“é nozes”, com chimarrão e poesia....rs*

http://www.moradadoscanyons.com.br/index.htm
Já estou empolgadíssima!
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"Porque seu coração
É uma ilha
A centenas
De milhas daqui?"
(Chico Buarque)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

06 de outubro

Porque a sensação pós sexo é tão boa? Um alívio, uma leveza. Será que é a resposta ao prazer cumprido? Da paixão/amor realizado? De fazer verter o gozo de dentro do corpo? Aliás, será que o gozo é o prazer em forma de matéria? Apesar das dúvidas, o sexo é bom. Porque depende da paixão, do tesão, da vontade. Fica melhor ainda quando o desejo é antigo, e fica ali caladinho, se remoendo até ser cometido.

Ai, ai, ai, ai... estou l-e-v-í-s-s-i-m-a!

(sim, em vermelho, porque vermelho é bom...)

.............................

"A gente se apertou um conta o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro. Tão simples, tão clássico. A gente se afastou um pouco, só para ver melhor como eram bonitos nossos corpos nus (...) estendidos um ao lado do outro, iluminados pela fodforescência das ondas do mar. Plâncton, ele disse, é um bicho que brilha quando faz amor. E brilhamos."

(Caio Fernando Abreu)

domingo, 5 de outubro de 2008

05 de outubro

Quando o fim de semana foi perfeito não há nada mais que acrescentar. Perfeito. Em tudo, em cada detalhe, em cada escolha. Passar a noite ao som de Marisa Monte e ... conversando. Não acordar sozinha, não estar sozinha para tomar café da manhã. Não quero falar muito, quero ficar lembrando, lembrando... Preciso dormir, não sobrou muito tempo para isso esse fim de semana. Hm.... e já estou contando os dias para o fim de semana que vem...

ah, e o trechinho que lhe falei baixinho antes ...

"Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.
E quem diria?
ainda melhor

(...)
E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?

E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?"

(Então é você - Alice Ruiz)

sábado, 4 de outubro de 2008

04 de outubro

"...Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho..."


(Não é fácil - Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

03 de outubro - A poesia

Eu gosto de fechar os olhos. Sei que há muita coisa bonita no mundo: praias, campos, arquiteturas, primaveras, céus tão azulzinhos, as faces das pessoas, a maneira que cada sorriso se abre, que cada cabelo balança, a cor que se destaca na roupa e na pele, os tons das peles, os tons do sol se pondo, os tons que os dedos dão no piano, o violão na mão do músico, o corpo que lembra o violão, os pássaros nas flores, as flores na janela. Mas se gosto de fechar os olhos, não é porque não acredito ou não queira essa beleza toda, mas que olhando para dentro de mim, encontro coisas, formas, faces, esperanças que não vejo aqui fora, faço as coisas que aqui não sou permitida, invento coisas que não precisam maior burocracia do que soltar o pensamento, e vejo uma beleza tão grande e tão doce de ver, tão livre e inocente, que chega a ser egoísta de tão minha que se torna, e que extravasa algumas vezes, raras e dolorosas vezes, em uma poesia. Porque é difícil escrever sobre as coisas que se vê, sobre as coisas que se sente, sobre todas as coisas de um mundo particular que cada um tem para si. Poesia é coisa muito séria, muito íntima. Poesia é uma fé que a gente tem sobre a gente mesmo. É uma primavera que pode nascer e acabar a qualquer hora do dia. Fechar os olhos é muito arriscado, porque qualquer coisa que se sente pode querer borbulhar, flutuar, fugir para fora e virar palavra.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

02 de outubro

(Alexandre Spinelli)


Estava meio sem assunto para hoje. Nem sempre a inspiração nos é generosa. Ela só apareceu no fim da tarde, me presenteando com uma curta e boa conversa com meu amigo poeta Alexandre Spinelli. Acabou de chegar “das Europas”, e esteve, durante todo o período que esteve por lá, me enviando fotos e comentários por onde passava. De certa forma me senti com ele inúmeras vezes! Achei de uma delicadeza incrível, escrever sempre e compartilhar conosco tantas belezas. Spinelli tem uma alma generosa, tem poemas sensibilíssimos e além do mais vai me acompanhar muito nas minhas noitadas por Porto Alegre. Vamos beber muito chopp, fazer muito fondue, caminhar pela Cidade Baixa, tomar um mate na Beira Guaíba. Tenho certeza que encontrei uma boa companhia para estar longe de casa. Dois solteirões, dois poetas, na encantadora Porto Alegre... Em breve, novos capítulos! Rs*
Spinelli, nem pedi autorização, mas me deu vontade de falar de ti. E colocar essa foto tua que adorei! Até logo querido... Muitos pôr-do-sóis acompanhados de mate e poesia nos serão vindouros!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

01 de outubro - Sobre a nudez

Estávamos nus um frente ao outro. Não nos sentíamos tímidos ou envergonhados. Estivemos assim, despidos, desde a primeira vez. Aonde nenhuma palavra poderia ser duvidosa, nenhum gesto incerto. Nós possuímos uma verdade absoluta: não queríamos mais nada além de uma possibilidade. De uma chance que nos trouxesse a vida novamente. É bom estar nu na frente de quem se ama, nenhuma máscara finge a feição da face, nenhum pano esconde o que o outro já conhece a dedos e bocas. O corpo tenta esconder a alma, mas a alma também está nua, e dançando, na retina dos olhos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

30 de setembro

Final do mês. Dinheiro na carteira. Dinheiro no banco. Há tantas pessoas que estariam felizes pelo “glorioso” fato. E do que nos vale tamanha miséria. Eu deixo o dinheiro, são só as coisas básicas que ele me paga; comer, vestir. Saio pouco, viajo quando me sobra tempo. E se ao menos pudesse comprar um coração de um alguém, e com muita sorte um coração com amor. Com que dinheiro se compra um pouquinho de alguém? Eu não sei... Eu não sei... eu me vendo a qualquer sorriso.

Deus, dê esperança aos que não tem, como eu. Amém.
...

"Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor."

Carlos Drummond in "A Flor e a Náusea" - trecho

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

29 de Setembro - A recompensa

Nunca imaginei que escrever fosse dar em alguma coisa. Sempre escrevi pelo amor pelas escrita e também pela necessidade de por para fora as coisas que eu sentia. Fico feliz em receber tantos e-mails e mensagens de carinho no orkut. Fiquei feliz com o retorno que obtive sobre o primeiro livro. Acho que as pessoas precisam um pouco de poesia, de sentimento, sentem falta disso. Prometo não falhar com meus leitores, a vida para mim é a escrita. Impossível parar ou deixar de fazer. Só tem faltado um pouquinho de inspiração, mas tenho certeza que logo virá...
Lembro que escrevi um pequeno poema, chamado "Poema para Viagem":

"quando sentir saudades
me lê em algum poema de Ruiz
em algum detalhe de Neruda
em algo que te faz feliz;
e como poucos homens
entre raros loucos e amados
me terás como um verso
que nunca para de sorrir"

Citando os poetas que faziam parte do relacionamento que eu vivia, e como eles contribuiam para dar encantamento para aquilo que viviamos. Fiquei muito feliz, quando ontem, recebi um e-mail em forma de poema, que uma leitora fez ao seu namorado e me encaminhou. Fiquei meia surpresa ao ver que você começa a ser uma referência, que as pessoas compartilham meus poemas, se identificam dentro deles. É uma alegria enorme... Segue o e-mail:

"Falei com você pelo orkut; a respeito de algo que escrevi pra uma certa pessoa.Pensei em te enviar pois foi sua métrica; a inspiração que alcancei...Espero que a ajude entender o que sentimos quando esperamos tanto pelas suas poesias...
Um BjO e sucesso sempre.....

Quando eu não estiver mais por perto;
Sentindo saudades minhas:
Leia-me nos versos “Morandi”...
Sim. Aqueles mesmo que me apresentou
Noutro dia... De uma poetisa chamada Cáh
(Um sobrenome que me lembra morango)
E ela escreve vermelho; feito o sangue,
Que me corre nas veias... Vida!
Nas letras que ela caminha
Descobri ser por vezes minha cama
E das muitas coisas que eu senti
Ela decretou verdade concisa
Céus; parecia que eu era um livro...
Portanto; se der saudade de um beijo;
Ela conseguiu uma façanha divina!
Eternizar em um verso um beijo que não finda
Procure-me entre as letras dessa poetisa
Ela descreveu com palavras
A nossa cama, nossa vida, você em mim...
Quando eu não estiver mais aqui...

(Rachel Cortelassi)"
....

Obrigada Raquel, obrigado as leitores dos poemas de Cáh Morandi, que eles sempre se revelem de uma forma única e particular a cada um de vocês.

domingo, 28 de setembro de 2008

28 de setembro


Cheguei agora a pouco de Curitiba, estou extremamente cansada e preciso urgente dormir. A noite de sábado foi ótima, ficamos com um casal de amigos jogando canastra e tomando caipirinha até o inicio da madrugada. Fazia muito tempo que não ria tanto e ainda pude usufruir de dois amigos maravilhosos que tanto tempo não via. Acordamos cedinho, fazia um tempo nublado em Curitiba, mas resolvemos ir tomar um chimarrão no Jardim Botânico e caminhar. Adorei passar a manhã no parque, sentada na grama, tomando um chimarrão, conversando e até escrevendo poesia. Acho que as companhias que temos é que fazem que o local se torne ainda mais agradável. Foi um final de semana maravilhoso, cheio de amizade e descobertas, e que me fizeram criar expectativas de algo antes não previsto, mas que tenho que reavaliar. Embora que a oportunidade que se mostra é uma que esperei por muito tempo na vida, mas já não sei se é o que quero. Ando confusa, mas logo terei as respostas. Queria que ainda fosse hoje de manhã cedinho...

sábado, 27 de setembro de 2008

27 de setembro


Que dia agradável. O friozinho com sol de Curitiba me encanta, amo essa cidade, amo o ar daqui, gosto desse céu com nuvens dégradés, gosto desse inverno, do barulho noturno do Alphaville, e das luzes das casas e de suas arquiteturas. Porque sempre há algo que nos falta? Porque nunca conseguimos ser inteiros? Porque não podemos ser felizes por pouco mais de alguns segundos? Quando todas as coisas poderiam se completar. Porque? Porque sempre me apaixono por pessoas estão mais interessadas em ganhar dinheiro do que caminhar comigo no Barigui no sábado a tarde? Porque sempre me entrego ao oposto? A resposta dessas escolhas é estar aqui sozinha, enquanto só o que me toca e envolve é o frio. Nunca pedi dinheiro. Nunca pedi presentes caros. Nunca pedi carro, apartamento e uma vida estável. Mas não sei porque ninguém entendeu, que eu só queria um pouco de amor gratuito, de mãos, de beijos e poesias. Um pouco de companhia, um monte de risadas, brigadeiro e pipoca de panela. Nada mais do que as coisas que necessitam um pouco mais de alma e de simplicidade. Nada tão complexo, tão bancário, tão comprável. O que nos sobra de uma vida tão material são os juros de uma velhice sem muitas boas lembranças. Sem muitos parques, sem muito verde, sem muitas Curitibas ou Mariscais. Ah, como eu amo ter as coisas que não tem preço.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

26 de setembro

Confesso que hesitei em abrir o guarda-roupas, mas não agüentei por muito tempo. Abri, meti as mãos por entre os tecidos, e lá do fundo arranquei com vontade e saudade a pequena camisa dobrada. Tão bem dobrada para dentro, tão bem amontoada, pano por cima do pano, para que ela não perdesse o perfume dele. Não somente o perfume, mas principalmente o cheiro. O cheiro que a pele dele que havia se impregnado por cada linho de algodão, o cheiro que ainda parecia morno ao ser tocado, o cheiro que ainda podia ser deixado em minha pele. O cheiro de alguém que não se tem. O cheiro de alguém que nunca mais terá. E eu não sei o que fazer para que não se perca, que não desapareça. É a coisa mais viva que tenho, é a coisa que eu mais gostava de ti. Porque quando sinto esse ar, eu lembro de como seu abraço me envolvia, e eu sinto seu toque.

Distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

25 de setembro

Penso tanto no que escrever, mas nem sempre as palavras me parecem fáceis de ser encontradas. Quando Deus criou todas as coisas, devia ter dado nomes as coisas que não tinham nome. Tinha que ter dado forma as coisas invisíveis. Tinha que ter nos dado olhos que nos olhem para dentro e que depois olhassem para dentro de todas as outras pessoas. Deus devia ter feito o amor como uma peçinha que a gente encaixasse e desencaixasse do coração a hora que bem entendesse. E devia deixar o mar sempre azul, algumas verdes e sempre transparente para mergulhar. Devia também deixar a gente escolher as lembranças para lembrar, os sonhos na hora de dormir. Não devia ter roubo, porque daí eu queria abrir o teto do quarto de vez em quando e ter estrelas de verdade até que o sono chegasse. Ah, e nunca, em hipótese nenhuma, podíamos ter insônia, cólicas ou qualquer coisas que nos fizesse menos inteiros. Melhor não discutir, Ele deve saber o que fez, porque que fez e inclusive deve ter nos deixado essas desconfianças e percepções por algum motivo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

24 de setembro

Hoje o dia foi muito bom. Levei meu primeiro fora na vida. Continuo não entendo nada. O cara te enche de cantada, te liga zilhões de vezes, convida para milhares de programa (e você nunca aceita, afinal você é difícil), te enche o celular de mensagens, te manda videozinhos no youtube, não deixa parar de piscar seu MSN. E não! Ele não tava querendo nada. Ai fiquei com uma cara de babaca, meio assim sem não compreender o que se passa na cabeça desse homem. Pois bem, gooood bye querido, como diz uma música “vou te excluir do meu orkut, te bloquear no meu MSN”... rs. Bom, por um lado isso foi ótimo, porque seria apenas mais uma tentativa falha de relacionamento, não daríamos certo mais do quatro meses, estourando cinco. E minhas esperanças estão senso depositadas em um lugar mais alto e seguro. Em um lugar de onde não haverá decepção ou falha. “Poizimtaum” deixo claro que a partir de hoje, não me apaixono mais por ninguém, não me interesso mais por ninguém. Agora só quando eu tiver certeza de que valerá a pena. Ficar sozinha vai ser bom, acho que nunca estive. Agora o próximo tem que ser muito bom, me amar muito, saber que tem a Laura que virá em alguns anos (antes dos meus trinta), que vai ter que me acompanhar nos muitos eventos no fim desse ano e no próximo. São três livros que estão vindo, então compromisso em triplo. Pronto, assunto coração: resolvido.
Ontem fiz minha inscrição na UFSC, mês que vem é inscrição na PUC do RS e de SP, estou até agora pensando para que lado a vida vai me levar. Só sei que final do mês de outubro tenho que ir a Porto Alegre, ver meu amigo Alexandre Spinelli e convocá-lo a ver os apartamentos que outra amiga tem visto para mim. Se for para Floripa, lá já sei onde alugar um ap... e em Sampa, já tenho com quem dividir outro. Só Porto que me dará esse trabalhinho extra.
Não tenho tido tempo para nada, me formando em Administração de Empresas: TCC, Artigos, Papers. Escrever para as colunas, acabar a montagem de um livro, continuar a escrever no outro, preparar e dar as aulas na oficina de Literatura e Poesia na Fundação Cultural, ir na manicure, marcar a depilação, academia três vezes por semana, pedalar nos sábados, ligar para a Carol, para Anelise e para a Greice, estudo bíblico no domingo de manhã, domingo a tarde acabar de ler Ensaio sobre a cegueira. Logo isso passa. Logo tudo estará feito. Um dia minha vida estará numa calmaria imensa e acho que vou sentir falta dessa correria. Um dia estar madura e inteira, e ver ter sobrevivido a tudo isso.

contranarciso

em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós



Paulo Leminski