domingo, 19 de outubro de 2008

19 de outubro


É ruim sentir falta, não é mesmo? Sentir falta de alguém que a gente não voltará a ter. Falta de alguém que a gente nem teve ainda. Falta de uma comida que a gente goste muito, mas que só tem num bristô na rua Brighton Beach, no Brooklyn, em New York. Falta da neve que caia no dia 07 de dezembro, de um ano que parecia não nos importar. Falta de um sol de 09 de dezembro, em pleno calor de quase verão brasileiro e se fazia planos de estarmos juntos com aquele alguém a vida inteira. Falta de esperar o shopping abrir, para andarmos voltas sem que eu gostasse ou levasse coisa alguma. Falta da expressão que o outro fazia, não de irritação, mas de saber que tinha me escolhido justamente por ser assim.
Os planos é que acabam com tudo, porque estão incluídos com todas as coisas que perdemos quando um amor se vai. Assim a dor se torna maior, a perda se torna maior, as noites teimam em ser mais longas. Devíamos viver sem perspectivas para o futuro, sem imaginar demais, sem planejar demais e assim, quem sabe, viveríamos com mais intensidade os momentos que nos são permitidos. E as lembranças, no fim, ficariam mais vibrantes, mais detalhadas. Sinto falta também justamente disso: de não conseguir arquivar as memórias com todos os detalhes. Memória devia guardar não somente “male mal” a imagem, mas também o odor, o gosto, o tato, o vento, o peso. Lembrança devia ser coisa mais viva, mais real. E se fosse, eu juro, que eu me tornaria uma cega por opção. Eu ia deitar em uma rede, de frente para o mar inteiro, fechar meus olhos e viver dali pra frente só das coisas que vivi, de todas as lembranças que todo dia lembro para nem pensar em esquecer.

"again my heart sits upon a wall. Now from here where do I go? I can't decide, I do not know..." (Lawrence H Pfaff)

Um beijo, como os que ainda guardo, como os que ainda espero.

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