A minha vontade era te ligar, te escrever um poema de todo tamanho, encher tua caixa postal, te mandar um postal ou uma fotografia ou um livro sobre você, fazer uma serenata, te avisar para me pegar no aeroporto. Eu queria arranjar um jeito de chegar mais perto, de estar mais junto, te grudar um beijo tão tão tão grande e bom que durasse o tempo da ligação, cada letra do poema, cada mensagem deixada, toda a demora de chegar os postais, o som de todas as músicas, mas nunca mais sair de perto de você. Mas tu sabes, eu não vou fazê-lo, tu sabes que não quero te pesar em nada. Tu sabes que vou permanecer quieta, guardando todas as coisas que eu queria te dar, ou te contar durante um café da manhã. Precisava urgente escrever para acalmar toda essas vontades que me dão a toda hora, para não cometê-las, para mantê-las. Melhor que elas me consumam e me matem devagarzinho do que eu chegar com esse mundo todo e te assustar.
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
29 de agosto
A vida era mesmo essa falta que tínhamos um do outro, essa ausência que disfarçávamos em raros recados amorosos, mas não compreendíamos ou na verdade não sabíamos lidar com a espera. Aconteceu que começamos a encher essas faltas com outros abraços, com outros beijos, outros nomes foram surgindo até que toda falta foi preenchida. E depois até a presença que tínhamos foi diminuindo, pois essas “novas outras pessoas” foram começando a tomar conta de tudo. Até o dia que parei de te enviar cartas, e-mails, esquecendo de te retornar ligações. Acho que o que eu queria mesmo era não insistir, porque eu não sabia onde você estava ou para onde tinha começado a ir e me esquecer, e de repente a tua presença foi parecendo desnecessária e tua ausência pouco sentida, pouco notada.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
28 de agosto
Tenho recebido algumas boas surpresas nesses últimos dias. Acho que em resposta a tudo que tenho feito e a tudo que tenho pedido a Deus. E esse medinho sacana de ficar sozinha está desaparecendo assim, tão de repente e tão doce que parece que nunca o senti. Nessa fase em que estou em nível de decisão do que fazer da minha vida, tudo tenho medido ponderadamente, algumas decisões tomei ontem a noite enquanto tentava dormir e chorava. Inevitável a dor. Inevitável deixar alguém ou algumas coisas para trás. Inevitável nos topar com outro alguém ou outras coisas logo ali na frente.
O que é certo, é que nada é tão definitivo, claro que tudo o que decidirmos nos levam a um caminho. Como dizia Bach: “Sou o resultado de todas as decisões que tomei até agora.”. Por isso, preciso pensar... pensar... pensar... daqui uns anos espero me lembrar desses momentos “ferrados” de hoje, e rir muito e me encontrar como uma mulher satisfeita por ter feito boas decisões.
O que dói entre escolher “isso ou aquilo” são todos os planos que cometemos, todos os sonhos sonhados sozinho e juntos. E será que um dia não muito distante (assim espero), vou poder começar a sonhar tudo isso de novo: meus filhos, meu apartamento com vista para o mar ou para Lagoa, ou de frente para um parque tão verde que arde os olhos em Porto Alegre? Será que vou poder pintar uma poesia na parede do meu quarto, será que vou ter alguém para me ler poesias no fim da tarde de domingo? Alguém para fazer amor quando a chuva começar a fazer desenhos na janela? Alguém para caminhar junto comigo? Para ser o super pai herói dos meus cinco filhos? Alguém que vai me abraçar e puxar tão junto, que nem o ar vai poder conseguir nos distanciar?
O que vejo é isso, que posso tomar todas as decisões que me parecerem adequadas, mas que Carine Morandi não é nada sem alguém que a faça sentir amada e que possa partilhar com ela pequenos momentos de felicidade e de delicadeza. Um dia terei sorte, penso eu, de ter alguém para me surpreender a cada dia, e que me diga 500 vezes por dia: “eu te amo”. Sorte aos meus leitores, porque daí com certeza não irão faltar poesias, nem livros... Um dia, meus queridos... um dia!
O que é certo, é que nada é tão definitivo, claro que tudo o que decidirmos nos levam a um caminho. Como dizia Bach: “Sou o resultado de todas as decisões que tomei até agora.”. Por isso, preciso pensar... pensar... pensar... daqui uns anos espero me lembrar desses momentos “ferrados” de hoje, e rir muito e me encontrar como uma mulher satisfeita por ter feito boas decisões.
O que dói entre escolher “isso ou aquilo” são todos os planos que cometemos, todos os sonhos sonhados sozinho e juntos. E será que um dia não muito distante (assim espero), vou poder começar a sonhar tudo isso de novo: meus filhos, meu apartamento com vista para o mar ou para Lagoa, ou de frente para um parque tão verde que arde os olhos em Porto Alegre? Será que vou poder pintar uma poesia na parede do meu quarto, será que vou ter alguém para me ler poesias no fim da tarde de domingo? Alguém para fazer amor quando a chuva começar a fazer desenhos na janela? Alguém para caminhar junto comigo? Para ser o super pai herói dos meus cinco filhos? Alguém que vai me abraçar e puxar tão junto, que nem o ar vai poder conseguir nos distanciar?
O que vejo é isso, que posso tomar todas as decisões que me parecerem adequadas, mas que Carine Morandi não é nada sem alguém que a faça sentir amada e que possa partilhar com ela pequenos momentos de felicidade e de delicadeza. Um dia terei sorte, penso eu, de ter alguém para me surpreender a cada dia, e que me diga 500 vezes por dia: “eu te amo”. Sorte aos meus leitores, porque daí com certeza não irão faltar poesias, nem livros... Um dia, meus queridos... um dia!
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
27 de agosto

... toda a vida atrás das palpebras, tudo morando sob os cílios que se fecham docementemente atrás de alguma lembrança. Estou extremamente saudosa. Peguei o livro de E.E Cummings, fazia tempo que não lia um dos poetas que foi essencial na minha vida quando... quando o tempo passava tão rápido por estar sendo tão bom... Traduzi um que me fez uma auto leitura íncrivel, que era tudo que eu desejaria e poderia dizer a esse dia frio e ensolarado de agosto:
"Pode não ser sempre assim; e eu digo
que se os seus lábios, que amei, tocarem
os de outra, e os seus ternos fortes dedos aprisionarem
o seu coração, como o meu não há muito tempo;
se no rosto de outra o seu doce cabelo repousar
naquele silêncio que conheço, ou naquelas
grandes contorcidas palavras que, dizendo muito,
permanecem desamparadas diante do espírito ausente;
se assim for, eu digo, se assim for--
você do meu coração, me mande um recado;
para que possa ir até ela, e tomar as suas mãos,
dizendo: Aceita toda a felicidade de mim.
E então voltarei o rosto, e ouvirei um pássaro
cantar terrivelmente longe nas terras perdidas."
terça-feira, 26 de agosto de 2008
26 de agosto
... às 23:49, então ainda é 26 de agosto! E não discuto!
Dois dias de cama, estou péssima. Descansar demais me estraga, definitivamente. Odeio ficar doente e comer comida sem sal, e não aproveitar o sal e sol da vida. Ah, a vida deve estar me limpando... algo bom tem acontecido. Inesperadamente. Dessa vez não vou omitir, não vou deixar passar. Estou com 21 anos, e cara, não tenho muito tempo para perder, tenho muita coisa que desejo fazer nessa vida... E espero que dê tempo. Ao que me acontece, só minha fase Caio para me definir:
"deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado..."
(Caio Fernando Abreu - Para uma Avenca Partindo)
.....
E um beijo para ti,
e um beijo para a vida que é genorosa...
Dois dias de cama, estou péssima. Descansar demais me estraga, definitivamente. Odeio ficar doente e comer comida sem sal, e não aproveitar o sal e sol da vida. Ah, a vida deve estar me limpando... algo bom tem acontecido. Inesperadamente. Dessa vez não vou omitir, não vou deixar passar. Estou com 21 anos, e cara, não tenho muito tempo para perder, tenho muita coisa que desejo fazer nessa vida... E espero que dê tempo. Ao que me acontece, só minha fase Caio para me definir:
"deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado..."
(Caio Fernando Abreu - Para uma Avenca Partindo)
.....
E um beijo para ti,
e um beijo para a vida que é genorosa...
domingo, 24 de agosto de 2008
24 de agosto
Ahh...
Acho que não tem preço para o ego de uma mulher se sentir desejada.
Nada a acrescentar ou descontar a esse fim de semana... inteira!
Acho que não tem preço para o ego de uma mulher se sentir desejada.
Nada a acrescentar ou descontar a esse fim de semana... inteira!
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
21 de agosto - Uma oração
Agradeço o dom que Deus deu ao meu coração de ele se apaixonar quando forças já não há. Agradeço a Deus por nunca me deixar sozinha, por nunca me deixar sofrer em demasia, por sempre colocar alguém na minha vida para que nunca sobre nenhum espaço. Agradeço a Deus por ele ter piedade dos meus pecados, dos meus amores insanos. Agradeço Deus porque tens mais fé em mim do que eu em ti. Porque tu sempre me destes uma esperança, porque tu sempre me destes uma escolha, e outra escolha ainda se eu escolhesse errado. Obrigada por ainda não ter desistido e por estar me mostrando todas as coisas boas que estão para vir. Me perdoe porque não tenho mais orado, porque não tenho mais te procurado, e por sempre teres permanecido comigo.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
20 de agosto
Não é o tempo que nos muda, não são as opiniões, os noticiários, as aprendizados, não são os dias no calendário, nem as livros na cabeceira da cama, não são os sermões pregados, os poemas versados, uma essência interior. O que nos muda, transmuta e nos faz às vezes mais, às vezes menos humanos, é o amor. Nenhuma outra coisa que transita pode nos dar olhos de sóis. Nenhuma outra coisa nos dispara o coração antes de qualquer pensamento. Nenhuma outra coisa nos tira o ar e nos deixa ainda mais vivos. Nenhuma outra coisa nos leva a um maior aprendizado seja em tempos de delicadeza ou de dor. Não há nada como o amor, nada que possa ser comparado exato e precisamente. Geralmente é assim com as coisas que se sente.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Preciso dizer mais alguma coisa?
"Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora a ponto de convencê-lo a voltar, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
"Eu preciso muito muito de você, eu quero muito muito você aqui de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando, você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo, você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio, juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
domingo, 17 de agosto de 2008
17 de agosto
Eu poderia ter gostado de um homem da minha idade, alto, moreno e olhos claros, que mora quase do meu lado e que me trata muito bem. Ou poderia ser aquele cara que me ama, que diz que sou uma princesa, que lê todas as minhas poesias e que me levaria a qualquer lugar do mundo... Mas vai saber porque o coração da gente não obedece, que é justamente quem não deve que ele decide gostar. É logo por quem não te ama (nem nunca vai te amar), que nem te olha, que te ignora e que mora longe... A gente vive amando a pessoa errada, na hora mais errada ainda, mas não quer desistir de acreditar de que poderia ter dado certo... Dizem que sou louca por amar alguém assim tão oposto de mim, mas vai dizer isso ao meu coração! Vai me pedir para esquecer aqueles beijos todos, do contorno de seu rosto, das poesias que ele me fazia escrever pela manhã. Como esquecer aquele peito onde eu deitava, daqueles braços em que eu me esquentava... da face, do gosto, do perfume, do desenho do corpo do homem que eu amei?
junho/2007
Cáh se sentindo assim...
"Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir ,que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem"
("Ggaropaba mon amour", Pedras de Calcutá)
Caio Fernando Abreu
("Ggaropaba mon amour", Pedras de Calcutá)
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
14 de agosto
As coisas não são tão simples, queridos. Estou ficando um ano mais velha e não só a idade que me pesa, aliás eu que ando a começando a pesar as coisas. Não quero mais nada de qualquer jeito, não quero mais nada incompleto ou mal feito. Preciso agora me organizar para a vida madura que virá, encontrar um amor, encontrar alguém para caminhar comigo, para me dar filhos e para me oferecer um abraço para quando eu quiser desabar. Não quero encontrar minha metade, pois assim como sou inteira, exijo encontrar meu inteiro, esse completo que se encaixa com meu completo. Agora é hora de arrumar as malas que vou levar para a vida toda, cada escolha é muito definitiva, é muito decisiva no sentido de nos guiar por um destino. Até hoje não descobri o que quero, só sei das coisas que me fazem falta. (Puta Merda! Como um telefone faz falta). Mas tenho aprendido a ser dura, a não me abalar, mas principalmente a não me render e ser fraca. Nunca mais vacilar, nunca mais vou mendigar um carinho, uma delicadeza, um restinho de amor. Por isso devo reconhecer meu inteiro, mesmo sabendo que nunca o terei, mas lembrarei da face de um homem que atravessou a Paulista na chuva com duas rosas nas mãos.
Estou apaixonada por esse homem
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
(Caio Fernando Abreu)
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Tu sabes que é para ti...
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
.
.
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 12 de agosto de 2008
12 de agosto
O que ele pensa quando me apronto para afundar meu corpo no seu? Quanta ansiedade contida quando ele me olha, me pega desprevenida, puxa minha cintura, entra seco dentro de mim, me aperta pelos quadris para que eu não tenha chance alguma. Depois me olha, como quem implora para ficar ali, me tirando e colocando algo, muito além do que matéria, que nos torna o amor menos ou mais intenso. Ele me aperta as coxas, eu cravo minhas unhas. E ele vai sempre mais fundo, entra em meu mundo como se fosse o dono, e como se eu tivesse uma espécie de fome, ele me deixa algo sem nome escorrer pelas entranhas. Mas ele demora para me soltar, me balança sobre o que quase já não há, passa as mãos úmidas em minhas costas, ainda me força, ainda quer amar.
Lúbrico
Você vai logo perceber que ele não é uma pessoa fácil.
Um temperamento horrível, me diziam.
E eu, escrevia o nome dele secretamente
nas vidraças, nos elevadores, nos banheiros de cinema.
Você sabe que eu também, às vezes, fico insuportável
com essa mania de querer o impossível.
Mas, devia haver uma brecha nos nossos destinos,
que permitisse um encontro
num quarto de hotel qualquer
uma vez na vida!
furtivos e ordinários,
uma vez e pronto!
horas roubadas...
Não tive jeito de fazer essa proposta
e ele talvez nunca soube o que eu queria.
Carrego comigo o lado oculto de um desejo
passo por ele, sorrio, digo bom dia...
.
(Bruna Lombardi)
Um temperamento horrível, me diziam.
E eu, escrevia o nome dele secretamente
nas vidraças, nos elevadores, nos banheiros de cinema.
Você sabe que eu também, às vezes, fico insuportável
com essa mania de querer o impossível.
Mas, devia haver uma brecha nos nossos destinos,
que permitisse um encontro
num quarto de hotel qualquer
uma vez na vida!
furtivos e ordinários,
uma vez e pronto!
horas roubadas...
Não tive jeito de fazer essa proposta
e ele talvez nunca soube o que eu queria.
Carrego comigo o lado oculto de um desejo
passo por ele, sorrio, digo bom dia...
.
(Bruna Lombardi)
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
11 de agosto
Algumas surpresas nos alegram a vida, como alguém que nos chega com rosas e um sorriso, e escreve em um cartão nossas duas opções de destino: “Você tem duas opções essa noite: me encontrar para jantar ou fazer um filho comigo”. Como não poderia ser diferente... comecei em uma, terminei na outra.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
04 de agosto
Nós sabemos do fogo que há para queimar entre meu corpo e teu, nós sabemos do desejo que existe e que cada vez menos tímido se mostra, nós sabemos que é só uma que questão de tempo e de uma hora oportuna. Vai acontecer, não sou bruxa, mas é impossível não prever. Eu vejo no teu sorriso sacana e como você se apressa só para me cumprimentar, e beijando o rosto com uma vontade de ficar ou me abraça quase que me dedilhando as costas. Você não nega e nem sabe disfarçar. Quando ficamos a sós e você puxa uma conversa sem nexo, me oferece carona na chance do sexo, mas eu recuso só para te provocar. Preciso antes encontrar um jeito de te encaixar na minha vida sem me machucar, eu sei que não vai durar além de uma manhã, de uma tarde ou de uma noite. Preciso saber que tudo que há agora, será consumido em algumas horas, em alguns beijos, enquanto derreto sob ou sobre você.
domingo, 3 de agosto de 2008
03 de agosto
Se a gente soubesse quais seriam os últimos beijos e abraços, a última vez que escutaria aquela voz, sentisse aquele perfume nos impregnando os cabelos. Se ao menos desconfíassemos que depois daquela hora nunca mais haveria outra. Tanta coisa para ser dita, tanta coisa a ser sentida para que não fosse a última chance. Sabe vózinha, eu morro de saudades de você! De te ver saindo do quarto com teu cabelinho branco todo arrumado e já brigando com o vovô! Hoje eu estava revendo umas fotos, são de anos atrás, e em várias delas você usava aquela camisa de seda verde, sua preferida. Me deu uma dor tão grande de quase não lembrar o som do seu riso e de saber que nem posso te visitar nas férias para acordar cedinho e tomar chimarrão, e ouvir as histórias de seus finados e do vovô que você jurava que era um assanhado. Mas agora você deve saber a verdade... O vovô não aguentou de saudades suas e foi logo depois de tua partida. E agora vózinha, na sua casinha rodeada de verde, bem no interior do Rio Grande, não mora mais ninguém. Acho que sua casinha nem está mais lá, mas nunca vou esquecer dela, nem de você e do vôzinho. Nem daquele relógio que vocês tinham que ficava badalando de uma em uma hora e não deixava eu dormir a noite toda. O tio Jacinto tá morando na cidade, pertinho da vó Edith e do vô Aristeu. A vó Edith (sua filha) acho que é quem sente mais saudades. A mãe também. Na verdade todo mundo chora quando fala de vocês. Acho que a gente evita falar para doer menos. Mas a gente pensa sempre, porque a parte do coração que era de vocês fica sempre gritando e se mexendo. Vó, já andei de avião, várias vezes, e nem fiquei com medo, só deu um frio na barriga, mas depois passou, conforme a gente sobe tudo vai ficando pequeninho aqui embaixo, até desaparecer e tudo virar um tapete de nuvens tão branquinhas! Vó, você tinha que ter voado! Você não ia ter medo e ia achar lindo ver as nuvens pelo outro lado. Ah, vózinha, se lembra do meu caderninho azul com uma foquinha na frente? E sabe tudo aquilo que eu escrevia? Pois é, coloquei uns daqueles na internet (internet é um lugar onde todo mundo pode se falar pelo computador) e teve umas pessoas que leram. Já tenho um livro vó, estão até dizendo que sou escritora, depois vou colocar uma das poesias que fiz em uma das férias que passei contigo! Não estão tão bonitas como as de hoje, mas elas lembram você e me trazem o cheiro do campo e da comida feita no fogão a lenha. O Fillyp tá grandão e está jogando futebol muito bem, a mãe tá feliz e teve um outro bebê, o Gabryell, ele é especial vó, você se apaixonaria por ele. O mar, apesar de você não conhecer, está tão azul, que acho que nem ai no céu poderia ser tão azul como ele estava hoje! Vózinha e Vôzinho, não esqueçam de mim, eu ainda tenho o mesmo sorriso de quando desembarcava do ônibus e via vocês.
"o sol me beija
passarinhos cantando
um dia chegando
tão branco no campo
o chimarrão amargo
eu sentada na grama
a vida que demora
de passar nesse lugar"
Miraguai, RS, 2002.
sábado, 2 de agosto de 2008
ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olho
se não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você
(Alice Ruiz - Ninguém me canta como você)
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olho
se não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você
(Alice Ruiz - Ninguém me canta como você)
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
01 de agosto
Odeio acordar sozinha, odeio não ter ninguém para beijar, para me dar o braço e me acolher de manhã, odeio não ter os pelinhos do peito do companheiro para ficar passando minhas mãos. Não suporto olhar minha cama vazia do lado esquerdo, odeio passar frio, odeio não ter um abraço de bom dia, odeio o quarto tão desorganizado, nenhuma roupa intima atirada no chão, nenhuma mão me acordando e brincando por baixo da minha blusa branca. Odeio saber que ninguém vai me beijar a nuca, as costas, que ninguém vai se encaixar em mim, tão forte e tão intensamente como se nada que viesse no dia pudesse me abalar. Odeio não ter uns olhos para olhar, odeio não ter aquelas coxas e o acordar com um pulo nas pernas. Odeio essas coisas que me fazem falta, esse alguém que não tenho e que não chega...
quinta-feira, 31 de julho de 2008
31 de julho
- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
Caio Fernando Abreu - livro "Morangos Mofados"
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
Caio Fernando Abreu - livro "Morangos Mofados"
quarta-feira, 30 de julho de 2008
30 de julho
Hoje eu lembrei de ti e senti tua falta. É engraçado como a vida num momento de tanto futuro vindo feito um tufão, me leva para tão perto do passado e das tuas mãos. Acabei de arrumar o guarda-roupa, algumas coisas estão grandes demais, outras velhas. E sabe o que encontrei? Aquela camisa que você me deu, que usou na noite anterior de ir embora. Aquela: cinza escura, de malha. Aquela que tirei devagarzinho de você antes de fazermos amor... e que depois peguei no chão e vesti sobre meu corpo nu (eu adorava vestir tuas camisetas, lembra?) para dormir, e você me abraçou tão forte naquela noite, nossa última noite e nem sabíamos... Gostava de como me abraçavas para dormir e ficava dizendo e me apertando:
"- Minha, minha, minha...."
Ninguém mais me fez dormir sorrindo. Eu amava quando fazias cócegas nos meus pés com os teus. Gosto de tudo que me deu. Gosto das lembranças que me deixou. Ainda imagino o rostinho daquela menininha que você dizia ver na minha barriga. Vou dormir com teu cheiro e tua camiseta hoje... Amanhã vou comprar lírios! Você sabe como eu amo lírios! Você mais do que ninguém soube amar um lírio...
29 de julho
Cumprias distâncias em mim.
Madrugada não alcançaria.
Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Madrugada não alcançaria.
Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Acostumado à extensão das raízes,
não sobrevivo no vaso dos pés.
Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço.
Como povoá-lo após tua partida?
Fabrício Carpinejar
In:"Caixa de sapatos"
terça-feira, 29 de julho de 2008
29 de julho

Se você vier
Pro que der e vier comigo
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto esse canto de amor
Se você quiser e vier
Por que der e vier comigo
(Dia Branco - G.A.)
domingo, 27 de julho de 2008
27 de julho
Um dia nos tiram alguma coisa e não adianta se prevenir, se precaver ou ficar atento. Isso vai acontecer. Ninguém sai da vida inteiro e os que saíram, bom, eu não os conheci. Uma noite você vai estar perdida ou tão despercebida que irão tirar sua intimidade, e acredite: você vai sentir que anda nua por toda a vida. Um dia vão lhe tirar um riso, uma oportunidade, um direito, algo que você mais gosta ou aquilo que você mais preza. Talvez você perceba na hora, talvez você só perceba muito tempo depois. Não quero parecer pessimista, mas a realidade é assim. Acredite no que te digo. E o que vão tirar de você é irrecuperável. Repito: Ninguém sai da vida inteiro.
sábado, 26 de julho de 2008
26 de julho
Acordei estranha. Feliz pelo lançamento do livro, aliás, muito feliz. Mas tem algo que nasceu comigo e que aparece sempre, bem nessa hora que está entardecendo... Não sei o nome, é parecido com angustia, com medo, com desespero. Eu começo a sentir saudades de tudo, me dá uma solidão tão grande. Minha mãe saiu, faz umas duas horas, mas me deu uma saudade tão grande dela e uma vontade tão enorme só para tê-la por perto que acabei de ligar pedindo se ela já estava voltando. Acho que um preciso de um abraço. Acho que eu preciso de amor.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
24 de julho

Hoje quero agradecer a todas as pessoas que tem me incentivado com meu livro. Nesse período de produção e divulgação me surpreendi com o desprendimento de alguns em me dar total apoio e ajuda. Dizem que são em horas importantes (boas ou más) que descobrimos os verdadeiros amigos/amores. Não quero falar das decepções, das ajudas que eu esperava e falharam. Nada... Nada de ruim vai ser maior do que tanta felicidade que estou sentindo em estar me realizando pessoalmente. Que tudo que chegou seja bem vindo e tudo que está partindo, parta sem causar danos. No mais, obrigado a todos que vibraram, vibram e vibrarão amanhã comigo!
Namastê!
Namastê!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
23 de julho
De certa forma eu também nunca entendi minha ansiosidade. Quero tudo muito rápido, quero ver as coisas dando certo. Esse negócio de resultado a longo prazo é algo que acho praticamente impossível de lidar. O que me conforta é saber que a maioria das pessoas também são assim, ou seja, não estou tão louca. Penso que o ser humano tem essa necessidade: possuir (de preferência o mais rápido que puder) aquilo que deseja... não só em questões de bens, de profissional, mas também sentimental. Aliás, no meu caso, principalmente sentimental. Se não estou segura no meu relacionamento: FERROU! Todo o resto da minha vida fica flutuando, preciso desse alicerce, desse abraço e aconchego que o outro me dá. O amor na minha vida é um caso sério. Sei que devo mudar... mas se a vida não acontece de novo e vai passar tão rápida, porque não o amor antes de tudo? Aos homens que passaram da minha vida, não tenho nada a reclamar (apesar dos pesares), acho que se sou essa mulher que sou hoje capaz de fazer um outro homem feliz, aprendi e cresci com os que foram. Ninguém passa pela vida da gente em vão... até a dor de perder é um aprendizado, mas melhor mesmo é a sensação de estarmos apaixonados (mas isso falamos outro dia). Um pouco de calma, Carine e tudo há de vir...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Nosso Ernesto
"Lutam melhor os que têm belos sonhos"
Quando nos conhecemos eu queria ter 5 filhos, ele 7. Acho incrível a possibilidade que temos de sonhar, de podermos desejar algo, é claro, que o tempo e principalmente a realidade nos mostra que alguns sonhos são sonhos, e é lá, na imaginação da gente que eles vão ficar sempre. Eu quero ter uma menina com nome de Laura, ele quer um menino com nome de um revolucionário, ele não me disse ainda qual dos revolucionários, mas estive pensando em sugerir Ernesto, porque gosto de Che Guevara, e bom.. se é para ser revolucionário que seja “o revolucionário”. Agora a realidade nos mostra a possibilidade de dois: Laura e (talvez) Ernesto. E pretendo fazer vocês três felizes.Posso?
domingo, 6 de julho de 2008
Em tempos de nacionalismo...
Uma das coisas boas da vida, é esse presente que ela nos dá, chamado: AMIZADE! A amizade, por sua vez, nos dá momentos únicos, que se não podem ser fotografados ou revividos, devem ser ao menos escritos. E invariavelmente lembrados:
(Cáh): -Tá bem, vou publicar AGORA!
(Flávio): - Isso! Seja impávida!
(Cáh): - Colosso! (risos)
(Flávio): -Mas não fique "deitada eternamente em um berço esplêndido"!
(Cáh):- Mas se for “ao som do mar e à luz do céu profundo”?
(Flávio): - Isso pode!
sábado, 5 de julho de 2008
Um livro...

“Sempre te amei sem saber o porquê. Não preciso de porquês, é mesmo assim. Mas mais do que porquês ou razões adoro olhar para ti e perceber o quanto gostas de mim. Não preciso que mo digas para o saber e não há segurança maior do que a certeza das coisas que são ditas sem palavras.”
In Espero por ti em Paris, de Diana Mendonça e David Marle
Ver no olhar

Eu gosto de ver a vida. Gosto de vê-la acordar e perto de adormecer. Gosto de vê-la desvendar e esconder, mas principalmente gosto de vê-la nos olhos de outro alguém. Vejo ternura nos olhos de minha mãe. Vejo paciência nos olhos do meu pai. Vejo esperança nos olhos de meus irmãos. Vejo doação nos olhos de meus amigos. Nos olhos do meu amor eu vejo a parte de mim que não conheço, vejo o lado amável, afável e amoroso que ao largo do caminho fui deixando, e é ele e esses olhos recheados de todas as estrelas do céu e do mar, que me devolvem a doçura, a candura e a delicadeza que andavam adormecidas.
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