quinta-feira, 27 de novembro de 2008

27 de novembro

Vou começar dizendo que não quero mais falar de doença e de saúde. No final tudo sempre dará certo, ou não, é muito lógico.
Quero registrar algo muito legal e inesperado que aconteceu ontem. Reencontrei meu ex-namorado no msn e conversamos noite a dentro. Não, não era o Andrew (que ficou mais famoso entre meus leitores, pelas trocas de poemas e por ele ser um poeta de um dom extraordinário. Escreverei sobre ele ainda), mas sim o anterior a ele, meu querido Pedro, o qual se tornou um amigo extraordinário. Pedro é de São Paulo, é bem mais velho do que eu, namoramos quando eu tinha 18 para 19 anos e foi fantástico. Nesse período passei os fim de semanas em pontes áreas. Pedro é um empresário bem sucedido e tem uma história de vida que te prende do inicio ao fim. Bom, foi ele que “redespertou” o meu instinto por escrever, e ele teve muitas poesias que inclusive hoje, ainda circulam muito por aí.
Sempre soubemos que nosso namoro não tinha possibilidade de ser duradouro, tínhamos um abismo de idade entre nós e perspectivas de vida muito diferentes. Aproveitamos o máximo que pudemos. Acho que o amor nunca foi muito adepto ao nosso relacionamento, o que nos atraía era que éramos completamente tarados um pelo outro. Sim, literalmente. Fazíamos coisas absurdas e nos divertíamos muito. Eu levei para ele um pouco de juventude, ele me trouxe um pouco de experiência, e foi assim que nos entendíamos, ora na calma dele, ora na minha pressa. Topávamos tudo, viajamos para lugares que ninguém iria namorar: Vitória, Goiânia, Brasília. Passamos um feriado em Mariscal, mas tivemos tanta sorte que não parou de chover durante os três dias, então ficamos jogando cartas e “stop”, saímos uma única vez da pousada para comprar chocolate e depois não saímos mais. Nos entendíamos no tédio e na diversão.
Tem um fim de semana que nunca esqueço, foi em São Paulo. Não ficamos no apartamento dele. Ele reservou uma suíte lindíssima no Renaissance Hotel, na primeira noite assistimos uma peça de teatro no próprio hotel e depois fomos jantar no Chackras. Sábado de manhã fomos caminhar no Ibirapuera, almoçamos no Quartino no Cerqueira César, a tarde não agüentamos e dormimos. De noite fomos assistir ao Fantasma da Ópera, e quando voltamos ele tinha deixado para me preparar o quarto cheinho de pétalas de rosas, desde o chão, cama, hidromassagem e tivemos uma noite que ambos jamais poderiam esquecer. Dançamos muito antes de ir para cama. Lembro que no outro dia de manhã quando ele me acordou e foi para o banho, peguei o roupão, sentei na escrivaninha que dava de frente a uma enorme janela de vidro de onde se podia ver todo os Jardins, e lhe escrevi um poema a punho. Ele guarda o poema até hoje. Foi esse:


São as primeiras horas
Da semana que inicia:
Vinte e nove do primeiro mês.
E meu primeiro pensamento...
é teu.
Acordo sem ser dona de mim
E tudo te pertence:
O gosto na minha boca;
O cheiro na minha pele;
As palavras que solto;
Meus olhos que buscam teus olhos;
.
Desde o primeiro dia
Nada mais me pertenceu.
Não fui dona de mais nada.
De tudo que te entreguei
Me reinventas-te.
Me inundas-te.
Me invadis-te.
E nunca fui tão completa,
Tão repleta,
Tão minha
...sendo tão tua.


Faz tempo, mas ainda me vejo naquela manhã, lembro até do ar gelado no quarto, lembro que ele saiu do banho também vestindo um roupão e me abraçou pela cintura enquanto eu observava em pé diante da janela São Paulo amanhecendo.

Essa é música que dançamos naquele sábado de madruga, e era ele mesmo quem cantava:

Um comentário:

Elias Júnior disse...

Uau... que garota de sorte.

Momentos como esses que temos de nos lembrar qdo as coisas não vão bem. Tivemos e teremos momentos ótimos na vida.

Beijo